04 de julho de 2011

Olá,

O Sol atravessa o signo de Câncer, e nos convida a olhar com mais atenção tudo ao nosso redor: nossas relações, as pessoas e a nós mesmos. Câncer é um signo profundamente atento e sensível ao que é humano. Sensibilidade, sentimento e emoções, estas são águas claramente (as vezes escuras) da natureza canceriana.

Me vem a mente uma passagem famosa  do poeta John Donne, inglês (não se sabe sua data de nascimento exata, mas nascido no século XVII). Donne escreveu inspirado ao ouvir os sinos da igreja que anunciava a morte de alguém, o texto mostra o quanto estamos todos unidos por uma rede sensível e invisível de emoções: “Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram, eles dobram por vós.” John Donne

Proponho a você algo diferente: leia um livro de poesia, ouça uma música, veja um filme, mas dedique parte de seu tempo a cultivar boas emoções. E cantarolando uma conhecida canção do canceriano Gilberto Gil “…tenho que folgar os nós dos sapatos, da gravata…” (Se eu quiser falar com Deus).

Beijos e boa semana

Nádia Oliveira

Céu de Agora

Esta semana exigirá muita paciência e resistência. Muitos conflitos e situações estressantes precisão ser enfrentadas. Procure  agir com sensatez e sempre que possível encontrar uma saída conciliatória. Ir para o “tudo ou nada” pode gerar um custo elevado demais pra se pagar.

O clima emocional por isso deve estar quente, você precisará agir muitas vezes em um turbilhão de emoções e mesmo assim saber usar a sensatez, coragem e reflexão.

Cuidado com o excesso de confiança, facilmente avaliará uma situação de maneira um tanto distorcida e precipitada, por isso é bom não sair dando sua opinião sem antes refletir bem. Mas o que falta em tato e reflexão sobra em criatividade e eu diria mais, até mesmo uma certa genialidade no ar: as adversidades podem nos conduzir para um patamar muito melhor de resultados, podem ser entendidas como verdadeiros trampolins, se a vida não impusesse desafios, poderiamos permanecer presos a situações muitas vezes bastante desconfortáveis.

Vênus, se encontra em tensão com Urano e Plutão, cuidado com negociações, novamente as características acima se repetem, respire fundo e busque não tensionar ainda mais situações de natureza tensa. O mesmo planeta Vênus forma com Netuno um aspecto favorável, mesmo que no momento pareça que não há saída boa, confie e seja mais compassivo e amoroso. Falta clareza, mas não esperança.

Aspectos envolvendo favoravelmente Marte-Saturno e Júpiter-Plutão, apontam para grandes possibilidades e decisões importantes nesta semana. Apesar de todo um clima tenso, é um momento altamente dinâmico e motivador para resoluções de questões relevantes em nossa vida.

 

PERSONALIDADE CANCERIANA

GUIMARÃES ROSA

Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens” Guimarães Rosa.

Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo – MG no dia 27 de junho de 1908.  Um dos mais importantes escritores do país, seu livro mais conhecido é “Grande Sertão e Veredas”.

Guimarães tem um mapa com sol em Câncer, ascendente e Lua no signo de Gêmeos. Homem de comunicação forte e sensível. A busca de compreender o outro, entender a linguagem diferente da sua, parece ter sido um de seus maiores desafios literários.

Segue abaixo um texto do próprio escritor e em seguida um texto escrito pela astróloga Ana Gonzalez sobre Guimarães Rosa, que pode contribuir bastante para entendê-lo ainda mais profundamente.

Dircurso proferido por Guimarães Rosa em agradecimento ao prêmio concedido pela Academia Brasileira de Letras, ao livro de poesia Magma

O poeta não cita: canta. Não se traça programas, porque a sua estrada não tem marcos nem destino. Se repete, são idéias e imagens que volvem à tona por poder próprio, pois que entre elas há também uma sobrevivência do mais apto. Não se aliena, como um lunático , das agitações coletivas e contemporâneas, porque arte e vida são planos não superpostos mas interpenetrados, com o ar entranhado nas massas de água, indispensável ao peixe—neste caso ao homem, que vive a vida e que respira arte. Mas tal contribuição para o meio humano será a de um órgão para um organismo: instintiva, sem a consciência de uma intenção, automática , discreta e subterrânea.

Com um fosso fundo ao redor de sua turris ebúrnea, deixa a outros o trabalho de verificarem de quem recebeu informações ou influências e a quem poderá ou não influenciar.

E o incontentamento é o seu clima, porque o artista não passa de um místico retardado , sempre a meia jornada. Falta-lhe o repouso do sétimo dia. Não tem o direito de se voltar para o já-feito , ainda que mais nada tenha por fazer.

A satisfação proporcionada pela obra de arte àquele que a revela é dolorosamente efêmera : relampeja, fugaz, nos momentos de febre inspiradora, quando ele tateia formas novas para exteriorização do seu magma íntimo, do seu mundo interior. Uma tortura crescente, o intervalo de um rapto e um quase arrependimento. Pinta a sua tela , cega-se para ela e passa adiante. Se a surdes de Beethoven tivesse lhe trazido a infecundidade, seria um símbolo. Obra escrita—obra já lida—obra repudiada: trabalhar em comeias opacas e largar o enxame ao seu destino, mera ventura de brisas e de asas.

Tudo isto aqui vem tão somente para exaltar a importância que reconheço ao estimulo que me outorgastes. Grande, inesquecível incentivo. O Magma, aqui dentro, reagiu, tomou vida própria, individualizou-se , libertou-se do seu desamor e se fez criatura autônoma , com quem talvez eu já não esteja muito de acordo ,mas a quem a vossa consagração me força a respeitar. Sou-lhe grato, principalmente, pelo privilégio que me obteve de poder — sem demasiadas ilusões, mas reverente— levantar a voz neste recinto, como um menino que depõe o seu brinquedo na superfície translúcida de uma água , para a qual a serenidade não é a estagnação, e cujo brilho da face viva nada rouba à projeção poderosa da profundidade.(…)

A LINGUAGEM EM GUIMARÃES ROSA E A ASTROLOGIA

ANA GONZÁLEZ

Um trabalho acadêmico a respeito de um conto do livro Corpo de Baile identifica o uso de dados astrológicos em sua composição: Recado astrológico: o baile de João Guimarães Rosa de Daniela Severo de Souza Scheifler. Neste artigo, a autora faz um estudo a respeito dos nomes das personagens e indica possíveis delas e de suas histórias aos planetas astrológicos. A história descreve uma viagem de um grupo de pessoas de ida e volta pelo sertão, tendo à frente como guia, um homem conhecedor da região. Em meio a essa viagem, há um aviso de morte por traição dado pelo morro, que vai se desdobrando entre outras personagens, recontada sete vezes, até que é musicada e, finalmente, entendida por Pedro. O grupo passa por sete fazendas cujos donos apresentam nomes e características ligados aos planetas astrológicos: Jove (Júpiter), Vininha (Vênus), Nhô Hermes (Mercúrio), Nhá Selena (Lua), Marciano (Marte),  Apolinári (Apolo – Sol) e Seo Juca Saturnino (Saturno). A geografia do Morro da Garça e a paisagem sertaneja juntam-se a essas histórias. Mas, além desses elementos pode haver outros a serem explorados. Podemos ir  muito mais longe. Francis Uteza, autor alemão de A Metafísica de O Grande Sertão de GR, cita o autor mineiro: “/…/ eu gosto de apoio, o apoio é necessário para a transcendência. Mas, quanto mais estou apoiando, quanto mais realista sou, você desconfie. Aí é que está o degrau para a ascensão, o trampolim para o salto”.

O próprio autor nos avisa quanto a suas intenções:a reslidade e a transcendência estão presentes nos textos. E a linguagem pode ser o instrumento e a chave para tal compreensão. Em entrevista a um crítico alemão de 1965, em Gênova, Guimarães Rosa diz ” o idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas”. É o estudioso alemão que nos explica mais a esse respeito. Segundo Uteza, somente a partir da “elucidação dos enigmas lingüísticos” de sua língua fluida e musical “se poderá ter acesso ao conteúdo ´metafísico-religioso’ que se encontra oculto em sua obra”. Portanto, os elementos de sua visão metafísica não são claramente expressos. Ao contrário, estão cifrados em sua particular expressão lingüística que é um corpo físico e concreto, o lugar em que se apresenta o transcendente. Tanto em sua obra-prima como no conto que nos interessa, encontramos essa visão maior da questão humana: a metafísica. A perspectiva de uma geografia e experiência local e regionalista é somente o ponto de partida. A viagem pelo Morro da Garça, o lado realista do texto, é também uma representação astrológica da caminhada humana. A geografia do sertão se cruza em algum ponto com um tempo que ganha contornos míticos. Esse ponto seja talvez a linguagem ou “a porta para o infinito”, como queria Guimarães Rosa. Nesse conto, os elementos naturais conspiram para que o destino humano se cumpra. É o morro que fala e cuida do herói. A decifração do enigmático recado e a resolução pelo confronto humano libera o herói para andar por grandes espaços livre e senhor do mundo: “Daí com medo de crime, esquipou, mesmo com a noite, abriu grandes pernas. Mediu o mundo. Por tantas serras, pulando de estrela em estrela, até os seus Gerais.”. Esta frase final do conto refere-se às ações da personagem pós resolução do conflito? Ou é a ação atemporal, mítica, efetivada por Pedro – e por todos os heróis – em meio a seu contexto e as estrelas? Reconheço as múltiplas possibilidades de leitura em Guimarães Rosa. A elaboração dos nomes e a simbologia das estrelas e do céu, numa relação explícita com a astrologia, é uma das grandezas desse conto. Mas, a pergunta inicial só fo parcialmente respondida, pois há muitas outras informações interessantes a respeito da metafísica roseana. Voltaremos ao assunto. Conto com a sua companhia nesta investigação. Ana González www.agonzalez.com.br http://anagon.blog.uol.com.br

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