Reflexões sobre Karma

O Karma é a lei natural de ação e reação, é uma terminologia utilizada na  Filosofia Tantra que nos explica como o Universo interage em relação a cada um de nós. Toda ação causa uma reação na mesma intensidade e no sentido oposto, de forma tão simples como as idéias newtonianas porém com uma conotação Aristotélica que transcende os domínios da Física (Metafísica; tà metà physiká: título atribuído no século I aos treze livros de Aristóteles).

Você pode atirar uma flecha para o alto, mas tenha certeza de que ela cairá. Isto é conhecer a lei do Karma, e ter este conhecimento faz com que você passe a agir de forma consciente. Você pode dar um passo para trás e ver a flecha caindo a sua frente mantendo assim sua integridade física. Isto é ter a consciência de que esta lei natural é dinâmica, você age, o Universo interage, e você atua com novas ações pertinentes que desencadearão novas reações universais.

A termo Karma foi deturpado pelas religiões, principalmente as ocidentais, que misturam este conceito tantra com suas idéias de pecado-culpa-castigo, admitindo um novo e ignorante cenário: Você atira a flecha para cima e espera parado o retorno da flecha kármica.

O estudo e a conscientização a respeito da lei do Karma  é um dos passos importantes na evolução humana de cada indivíduo na face da terra (e não só dos orientais). É fundamental que cada ser humano aprenda a agir de forma consciente, que entenda a reação kármica da sua ação e que consiga ter discernimento para fazer novas ações baseadas e diretamente ligadas àquelas reações, vivendo através do auto-conhecimento e de forma saudável, o dinamismo universal.

Assim como as influências dos Astros ou tendências cíclicas humano-astrológicas podem ser mensuradas e analisadas cientificamente pela Astrologia, assim como estes e outros aspectos estão gravados na natureza, prontos para serem calculados, as reações kármicas também estão aptas a este estudo, pois é a lei a mais simples e a mais natural.

O ciclo de vida e morte (Samsara), estudo que engloba o fator conhecido atualmente como reencarnação, ainda não é compreendido pela ciência ocidental. Embora a Física Quântica esteja chegando bem próximo de alguns destes conceitos os cientistas de uma forma geral agem com extremo preconceito a este respeito, tudo porque AINDA não conseguem explicar este fenômeno. O preconceito da classe científica beira a agressividade e esta é sempre resultado de medo. Nos deparamos então com um ciclo vicioso onde o medo do desconhecido leva a aversão e agressividade que não permitem a aproximação, levando a ignorância. Ignorância gera medo. E a vítima deste ciclo é a própria ciência.

Até dentro da Astrologia temos este lamentável preconceito, mesmo sofrendo o preconceito e ignorância de outras áreas científicas, alguns astrólogos acabam também por discriminar a Astrologia Kármica.

Enquanto a Astrologia natal nos permite o auto-estudo (swadhyaya) e o conhecimento de tendências e acontecimentos futuros (vidyakaala), a Astrologia Kármica nos mostra as influências de ações passadas, nos preparando para a tendência das reações universais e principalmente nos ensinando a interagir com esta lei natural de ação e reação, para que possamos praticar nossos próximos atos de forma consciente sabendo que desencadearão novas reações e para que saibamos que estes ciclos não são baseados em conceitos de bem e mal.

Temos então através das Astrologias uma excelente combinação de ferramentas: de um lado o auto-estudo e o estudo do cosmo, do outro lado o estudo das relações entre o interno e o externo, entre o microcosmo e o macrocosmo. Tudo aqui é autoconhecimento, tudo aqui é fundamental para a evolução humana.

O que está lá está aqui, se não está aqui não está em parte alguma.” (Princípio Tantra);

O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima.” (Princípio Hermético)

autoria: Paulo GPA

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