28 de julho de 2014

Olá,

ceuNos últimos dias houve muita alteração no céu: Júpiter, Sol e Marte mudaram de signos e prosseguem cada um do seu jeito sua marcha pelo zodíaco. Pensando nisto vou abordar a questão dos ciclos astrológicos que na minha opinião é um dos temas mestres para quem curte Astrologia.

Marte entra em Escorpião, e isso foi comemorado, afinal acabam uma série de indefinições, podemos esperar mais firmeza, determinação e assertividade. Assertividade é ”  um substantivo feminino que expressa a qualidade do que é assertivo, afirmativo ou positivo. A palavra assertividade deriva de “asserto”, que significa uma proposição decisiva. Uma pessoa que demonstra assertividade é autoconfiante que não tem dificuldades em expressar a sua opinião.”(extraído de http://www.significados.com.br). Achei esta definição de assertividade muito correta para esta posição astrológica.

E ainda tratando de ciclos, nesta mês vimos encerrar ciclos três importantes nomes de nossa literatura: João Ubaldo (aquariano), Ariano Suassuna (ariano de nome e geminiano de signo solar) e Rubem Alves (virginiano)- espero que continuem a nos inspirar e enriquecer com sua sensibilidade e arte. Também reproduzi uma belissima crônica, de Marcelino Freire, que trata do encontro de Ubaldo e Suassuna no céu.

Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles. Rubem Alves

CÉU DA SEMANA

solA semana começa com Sol, Lua e Júpiter em Leão. Isto traz firmeza, entusiasmo, vitalidade e muita força de vontade – inspirador para começarmos a semana, não? Mas por outro lado, cuidado com excesso de autoridade e arrogância, vale sempre a pena dosar com a humildade.

Marte em bom aspecto com Netuno, pode nos inspirar para ações de apoio, ajuda e solidariedade – o mundo precisará muito disso nessa semana, afinal o mesmo Marte – planeta associado ao deus da Guerra se encontra tenso com aquele mesmo Sol e Júpiter que estão posicionados no signo de Leão.

Uma outra tensão no céu entre Vênus, Urano e Plutão – dificulta ações conciliatórias e promove rompimentos, rupturas e falta de entendimento e até mesmo falta de justiça.

Um bom aspecto entre Vênus e Netuno traz inspiração e criatividade, bom para quem precisa disso no dia-a-dia, ou seja, todos nós!

CICLOS

O QUE APRENDER COM ELES?

Carta do Tarot

Carta do Tarot

Mais rico do que apenas olhar o céu como um retrato instantâneo é perceber o grande número de ciclos celestes que estamos sujeitos: de um mais fugaz como a lua transitando no zodíaco (e por nosso mapa) no curso de cerca de um mês, trazendo mudanças de ritmos, de humor, de ânimo, ao ciclos de lunação anuais cercando as diversas áreas de nossa vida no decorrer de um ano e ciclos que vão muito além de uma única existência.

É bom lembrar que a duração dos ciclos é aproximada – Marte transita por cerca de 2 anos pelos 12 signos, o que daria 2 meses aproximadamente em cada signo, mas recentemente vivemos uma passagem por Libra que durou quase oito meses –  tratarei aqui dos ciclos aproximados.

Fazendo uma associação com o Tarot, alguns arcanos nos trazem fortemente esta referência de fechamento de ciclos – a que mais me chama a atenção é a carta da morte – Arcano 13. Ao contrário que os mais desavisados poderiam supor, não é uma carta ruim, pois nos aponta que algo esta findando – quem sabe aquela fase ruim e cheia de problemas?

Raramente comemoramos o fim, mas estamos sempre felizes para celebrar os inícios e nascimentos – afinal é a esperança de algo melhor, mas os finais também podem ser dignos de celebração: dever cumprido, libertação, é aqui que ocorre a possibilidade da semente do novo, do que irá gerar algo que quando percebido será motivo de celebração.

Sempre digo que nada em Astrologia (ou na vida) é somente bom ou mau, eu diria que apenas é, e traz em si a semente do movimento – aliás uma semente seria sempre semente se não fosse morrer de semente e vir a ser um broto, a noite e sua escuridão nos preparam para uma manhã e tantas visões poéticas de fins e inícios de ciclos, nunca viveremos eternos fins ou eternos recomeços, o nascer nos impulsiona para a morte, este é o maior ciclo de nossa vida.

Outro dia conversando, comentei sobre a expressão popular “juntar os cacos”, que significa se reeguer depois de um problema ou situação difícil, e olhar o fim de um ciclo e perceber que algum objeto se partiu em mil pedaços (nossa saúde, nossas finanças, nosso coração etc) este fim do ciclo nos prepara para esta consciência – no final de ciclo é hora de rever a vida, juntar os cacos e fazer outro objeto porque o “vaso” que tínhamos se quebrou, não adianta insistirmos em colar estes cacos e voltar ao objeto que era – a chance de uma nova semente já está ali naquele punhado de cacos. Isto pode parecer um tanto melancólico, mas pode ser apreendido exatamente no sentido da esperança, do sonho – já pensou que geralmente sonhamos a noite, ao dormir ou isolados? Sonhamos antes de construir, normalmente sonhamos sobre cacos.

Devemos celebrar todos os ciclos: o amanhecer e anoitecer de cada dia, o andar mensal da Lua no zodíaco, o nosso aniversário quando mais um ciclo solar se completa e cada um dos inúmeros ciclos que completamos. Vamos aplaudir o nascer e o por do sol, eles simbolizam o movimento e a possibilidade de uma eterna reNOVAção.

ciclos planetários

Lua – 28 dias

Mercúrio – 88 dias

Vênus -224 dias

Sol – 1 ano

Marte – dois anos

Júpiter – 12 anos

Saturno – 28 anos

Urano – 84 anos

Netuo – 168 anos

Plutão – 248 anos

 

DICAS DA SEMANA

ImagemlivroCARTAS CIGANAS – Revelando o Petit Lenormand Meu ebook está sendo vendido pela loja da Amazon, quem quiser já pode adquirir: AMAZON No formato de livro impresso pode ser adquirido: *Gaia – Escola de Astrologia – Rua Frei Eusébio da Soledade, 74 – Vila Mariana – São Paulo – fone (11)50843256 *Escola Santista de Astrologia – Rua Goitacazes, 8 altos – Gonzaga – Santos – fone (13)3284-9714 *Espaço Cyda Godoy – Rua Tijuco Preto, 1044 – Tatuapé – São Paulo – fone (11)2296-9090 Para remessa por correio solicite materlunabr@gmail.com ou Loja do Céu R astrologica   Nesta semana temos na Gaia – Escola de Astrologia a ASTROLÓGICA  2014 • 15º Encontro Anual de Astrologia – nos dias  01, 02 e 03 de Agosto.    

QUADERNA O PERSONAGEM “ASTROLOGISTA”

quadernaPara lembrar de Suassuna, um especial personagem: Quaderna personagem criado por ele na Pedra do Reino.

Quaderna era poeta-escrivão, acadêmico, ex-seminarista e astrólogo. É dele a frase: “Minha vida cinzenta, feia e mesquinha de menino sertanejo, reduzido à pobreza e à dependência pela ruína da fazenda do pai” (…) ”E é por isso que, insano, escuso e ardente / criei um Reino mítico e sagrado / batido pelo Vento ensandecido / deste Sertão de sol incendiado”

Ariano e João Ubaldo chegam no céu

Um texto de Marcelino Freire em homenagem aos dois grandes autores da literatura brasileira, publicado no Jornal Zero Hora

ariano“Welcome”, disse um americano branco para Ariano à porta do céu. Meu Deus, Meu Jesus! Até aqui se fala inglês. E fez logo o sinal da cruz, pediu proteção, passagem. Desculpe-me, sabe, mas eu estou apressado. Quero encontrar João Ubaldo. E repetiu, pausado: João Ubaldo Ribeiro.

Como viu que não seria entendido, o americano começou a dar uns passos: andava para trás, com os pés colados. Voltava para frente, no mesmo ritmo. De dança, ora essa, Ariano entende. Não, meu amigo, isso não é dança de gente. Olhou, de repente, e soltou um sorriso, discreto. Não é que era o Michael Jackson?

Meu filho, andei falando de você, muito. Nas minhas aulas-espetáculo. Nada contra a sua figura. Nada contra o país dos Estados Unidos. Lá tem quem preste. Por exemplo, Melville, Hemingway, Faulkner. Romance policial que eu adoro, filme de faroeste. E foi abrindo caminho, de fininho, em seu cavalo do sonho. Sempre dizia, quixotesco, que todo escritor deveria montar nesse cavalo: usar a sela da imaginação.

Meu senhor, por acaso o senhor viu um homem chamado João Ubaldo? Ele chegou pouco antes de mim, tem coisa de uma semana. Eu preciso falar com ele, é meio urgente. Nunca pensei que tivesse tanta gente no céu. Olhou adiante: pastores, palhaços, loucos, bêbados, cangaceiros. Isto aqui está uma festa. E foi se animando. Gritou para Michael, lá distante. Olha, aqui tem ciranda, vem dançar ciranda. Besteira. Como ele vai compreender a minha língua brasileira?

O senhor falava espanhol. Ah, de espanhol eu sei. Minha grande paixão, Ariano falou: Miguel de Cervantes. E os olhos faiscaram. As pestanas foram ao alto. Quando ouviu, sem acreditar. “Soy Cervantes”. Ali, à sua frente, o criador de Dom Quixote veio agradecer, emocionado. Por tudo o que Ariano, esse verdadeiro cavaleiro andante, fez pelo seu trabalho. Marcaram um passeio com o Rocinante, para mais tarde. Iremos até a Pedra do Reino. Lá esperam por você Euclides da Cunha, José Lins do Rego, Antonio Conselheiro.

E João Ubaldo? É que eu preciso falar com João Ubaldo Ribeiro. Para lá, para aquele lado. Apontou Cervantes. E Ariano seguiu. Parecia João Grilo atrás da Compadecida. O coração vivo, pulsando. A cada curva no céu, um novo encontro. Amigos antigos. E até alguns bichos de Taperoá. Cabras, pássaros, cachorros de Deus. Viu se aproximar caranguejos. E chorou, pela primeira vez, chorou.

Chico, menino. Saudades, menino. Desculpa aqui, de novo, mais uma vez esse seu velho teimoso. Já mudou de nome? Chico Ciência, pensa, meu rapaz, é mais bonito. Queridão, querido amigo. E ficaram de mãos dadas por um tempo. E Chico Science, quem diria, foi quem levou Ariano até a presença de João Ubaldo. Foram abraçados até o baiano. Obrigado, Chico, obrigado.

“Viva o povo brasileiro”, exclamou Ariano à chegada. Ubaldo estava sentado, olhando em frente um horizonte igual ao da Ilha de Itaparica. João, João. Preciso falar com você. Falar mesmo o quê? Os dois, em silêncio. Dentro do silêncio, irmanados. Não houve melhor abraço. Um do lado do outro. Permaneceram tranquilos. Feito dois palhaços. Chegados a um novo circo. É isto. O céu é um circo. Um grande circo, meu caro.

Ariano sorriu. Estou vendo que caí outra vez na conversa de João Grilo. Olha só onde eu estava com a cabeça, Ubaldo. Ele me veio com aquela história da ressurreição. Disse que há chances de a gente voltar. Morremos há pouco. O espírito ainda não deu tempo de se acostumar. É só a gente querer. Falou para a gente procurar, juntos, por Nossa Senhora, a Compadecida. Ela há de entender. O Brasil precisa muito, e ainda, de nós dois. João Grilo foi dramático. O Brasil está para morrer. Por um triz, falido. Sem esperança, combalido. Corre, corre, vai atrás de João Ubaldo e avisa. Voltem, voltem logo. Ariano sorria. Punha as mãos na cabeça e sorria. Mentiroso de uma figa.

Como fui acreditar nisto? Riram e riram.

Na dúvida, toca a gaita, João Grilo.

Melhor tocar a gaita, João Grilo.

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