20 de fevereiro de 2012

Olá,

Semana de carnaval, semana de ingresso de Sol em Peixes!

E para entrar no clima, vamos tratar do assunto da semana: carnaval. Mas fique tranquilo que abordarei o tema através da Astrologia, afinal a origem do carnaval nos remete às antigas saturnálias romanas. E para fazer isso vamos utilizar um recurso naturalmente pisciano, a arte e a sensibilidade. Aproveite esta passagem do Sol através  do signo de Peixes para meditar, orar e buscar uma conexão íntima e pessoal consigo, afinal este signo nos inspira a um mergulho na Alma.

Parabéns a todos nós de sol, lua ou ascendente no signo de Peixes! E juntando estes dois assuntos: carnaval e signo de Peixes, segue um trecho de uma música do geminiano Chico Buarque. Este trecho parece um pisciano cantando:

Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você! Amanhã tudo volta ao normal. Deixa a festa acabar, Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou Da maneira que você me quer. O que você pedir eu lhe dou, Seja você quem for, Seja o que Deus quiser! Seja você quem for, Seja o que Deus quiser!

beijos piscianos ensolarados,
Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

Dia 19 o Sol ingressou no signo de Peixes,  décimo segundo signo da roda zodiacal. O Sol em Peixes este ano ganha um reforço de Netuno, que domiciliado (Netuno é o regente do signo de Peixes) reforça o momento astrológico: muita sensibilidade e potencialidade criativa, mas pouco de objetividade. Aliás os próximos dias serão poucos práticos, mas não devem ser emperrados, apenas um tanto quanto atrapalhados onde nossa organização e planejamento terão que ser redobradas para surtir algum efeito.

Bom para estabelecer e decidir as bases para negócios e finanças. Mas na hora de fechar e assinar contratos e acordos tenha um cuidado redobrado, detalhes importantes poderão passar despercebidos. Cobranças de dívidas deverão também surgir, a paciência não será tão utilizada.

Quem lida com arte e criatividade em geral, sentir-se-a especialmente inclinado a expressar suas idéias. Aliás grandes e boas idéias surgiram nos próximos 30 dias, inspire-se.

Quem estiver em dúvida se é bom ou não se dedicar aos estudos, esta é a melhor hora. O que pode faltar em concentração, irá sobrar em interesse e motivação.

Esta semana será um bom momento de acerto de contas e conversas importantes. Haverá uma certa dose de sensibilidade, mas também de determinação e eficiência.

Nos relacionamentos pessoais, a paciência será necessária, pois em alguns momentos parecerão idiomas diferentes e os desentendimentos deverão ocorrer.

O SIGNO DE PEIXES

Um texto para conhecer melhor este signo extraído do livro Astrologia e Mitologia de Ariel Guttman & Kenneth Johson.

Antes da descoberta desse planeta (1846), Júpiter regia Peixes. Mas, se voltarmos no tempo, até as regências olímpicas comuns na época de Platão, Netuno (Posídon) aparece novamente como regente do signo. (…)  Netuno era um deus raivoso e vingativo na ocasião. Temos a tendência de ignorar esse aspecto violento do oceano e a associar o signo de Peixes aos aspectos profundos e sonhadores do mar, e não a suas tempestades, mas qualquer marinheiro que tenha passado um bom tempo no mar pode dizer que o oceano contém uma força poderosa que não deve ser encarada de maneira leviana e que deve ser respeitada. Como Carl Jung apontou, o oceano sempre simbolizou a mente grupal ou, em seus termos, o inconsciente coletivo. A posição de Netuno em um mapa mostra tipicamente a área da vida em que temos mais probabilidade de entrar em contato com essas imagens e arquétipos primordiais do inconsciente coletivo.

Artistas e místicos são capazes de chegar a esse profundo oceano de imagens e sonhos; afinal de contas, é exatamente nessas profundezas que eles reúnem as visões, poemas, pinturas ou sinfonias que nos fascinam e deleitam. Não é de se espantar, portanto, que a sabedoria astrológica tradicional descreva os piscianos como sonhadores, místicos e artísticos, pois todos esses indivíduos nasceram com ao menos um pé nas águas da mente coletiva. Um bom exemplo é o visionário pisciano Edgar Cayce, que era capaz de entrar em contato com um estrato extremamente profundo do inconsciente coletivo enquanto dormia. Netuno  era conhecido por atirar nuvens de tempestade e redes complicadas sobre suas vítimas para confundi-las temporariamente, cegá-las e fazê-las perder o caminho. Isso, junto com a necessidade individual de Peixes de esfregar a água salgada de seus olhos, pode contribuir para uma visão ou senso de direção fraco no plano físico para esses nativos. Mas, vimos muitos piscianos afinados com sua visão interior e por isso guiados a produzir as obras de arte e realizações mais magníficas da humanidade (Michelangelo, Antonio Vivaldi, Albert Einstein).

Porém, nem todos os piscianos são inspirados a tais níveis pelo oceano cósmico dentro deles; em vez disso, muitos são levados a vícios sérios porque ficam “perdidos no mar”. O consciente coletivo é o oposto polar da consciência individual; na personalidade pisciana, portanto, o ego individual pode ser bem fraco, enquanto o manancial de imagens universais é excepcionalmente forte. Conseqüentemente, o pisciano é facilmente influenciado e pode chegar a acreditar — ouvindo os amigos, pais ou professores — que seu ponto de vista intuitivo da realidade é um tanto inapropriado ou simplesmente errado. Considere Cassandra que, tendo recebido o dom da visão e da profecia, irritou Apolo e foi amaldiçoada para que ninguém prestasse atenção em seus avisos proféticos. Assim, ela “via” perigos iminentes, mas não tinha a capacidade ou a assistência para divulgá-los. Muitos piscianos “vêem” coisas que os outros simplesmente não são capazes de ver. Portanto, opisciano balança entre dois mundos — o reino terrestre que parece estar correto de acordo com todas as outras pessoas — e o reino cósmico, de que os piscianos estão bem conscientes.

Esse dilema é personificado no símbolo astrológico de Peixes, dois peixes nadando em direções opostas, mas unidos por um cordão. O Astrólogo Robert Hand observou que na realidade esses peixes não estão nadando em direções opostas, como sempre se acreditou. Astronomicamente, há um peixe do leste e um peixe do oeste. O peixe do leste nada para cima, afastando-se da eclíptica, em direção ao céu, enquanto o peixe do oeste nada ao longo do plano da eclíptica. Assim, podemos concluir que um dos peixes está em busca da iluminação espiritual, enquanto o outro se preocupa com assuntos do plano material. Esse constitui o principal conflito e uma das áreas “tempestuosas” de Peixes, que está consciente de ambas as direções, mas levemente mais confortável no reino celeste do que no físico.

Claro, há muitos piscianos que podem se render à definição de realidade do grupo e que dirão  que apenas a realidade física é “real” ou que neste mundo apenas o dinheiro realmente importa. O triste é que esses indivíduos, afastados de sua herança criativa e cósmica, são precisamente os piscianos que terminam bebendo sozinhos diante da televisão, assistindo a filmes de ficção científica às 3 da manhã para preencher sua necessidade desesperada de fantasia. Identificar-se com um pólo ou outro é apenas meio caminho andado para Peixes. O objetivo final é ter ambos os peixes saudáveis, energéticos e em contato com seu processo, nadando alegremente em círculos como golfinhos — outro símbolo pisciano apropriado, já que esses mamíferos vivem no oceano. No esquema médico, Peixes governa os pés — um exemplo do peixe ocidental que nada paralelo ao plano material e mantém Peixes em um estado saudável de equilíbrio.”

Ariel Guttman & Kenneth Johson – Astrologia e Mitologia Madras

MEDITAÇÃO PARA PEIXES

“Eu tenho bastante tempo, tempo infinito, nada me pressiona. O tempo parou. Entrego-me completamente a essa quietude que me liga a eternidade. Com todos os meus sentidos, eu ouço essa quietude, alerta para aquilo que se fará conhecer e que quer crescer dentro de mim. Repentinamente, eu vejo à minha frente um longo corredor, estreito e escuro. Há uma luz brilhando na distância; reconheço uma figura, uma forma luminosa me acena.

Ela me atrai como que por magnetismo. Deixo tudo e caminho lentamente ao longo do corredor, em direção à forma. Ela vem ao meu encontro chamando meu nome, o que me toca e que ecoa dentro de mim. Nós nos encontramos e nos olhamos com um profundo reconhecimento. Então ela coloca o braço sobre meus ombros e diz,

“Você chegou ao seu destino. Venha, siga-me.”

Louise Huber – Signos, Zodíaco e Meditação Ed Totalidade

Carnaval e Saturno

O que têm em comum?

Estamos em pleno carnaval, uma época que literalmente o Brasil vive sua festa mais popular. Entre críticos e apaixonados, o carnaval prossegue com foliões bebendo, dançando e caindo na folia. É inegável que muita gente está ganhando e muita gente se divertindo e como todo negócio lucrativo muita gente se divertindo de tanto ganhar.

O que Saturno, um planeta tratado na Astrologia como sisudo, sério e frio tem a ver com estes dias de carnaval, que literalmente viram o país de cabeça para baixo? No nosso país é como um rito coletivo de início de ano, é frase corrente que o ano só realmente começa depois do carnaval. Trago uma reflexão, sobre este período que nos remete às chamadas saturnálias, festas consagradas a Saturno feitas no Império Romano e é incrível como guarda ainda profundas similaridades com nossos carnavais atuais.

A origem do carnaval nos remete as festas que ocorriam ao final do ano – as chamadas saturnálias – no Império Romano. O deus Saturno permitia que boas safras ocorressem e para agradar o deus, os devotos caiam na folia. A liberalidade era total, tribunais eram fechados e todo trabalho suspenso, havia  folga de todas as limitações e cobranças e tudo se podia fazer nestes dias, é incrível como parece com a atualidade que vivemos!

O Carnaval é muitas vezes associado às festividades cristãs, por anteceder a Quaresma, mas sua origem realmente parece ser pagã. Festividades assim, ocorriam no antigo Egito e na Grécia com o culto ao deus Dionísio e seu contorno mais próximo a nós parece mesmo vir dos romanos e de suas saturnálias.

Nas saturnálias tudo era permitido, como um escravo que se tornava rei – rei momo – irreverente e incentivador de todos os exageros e prazeres. Um personagem protegido pelo deus Dionísio/Baco.

Baco de Michelangelo - 1495

Sobre Dionísio,  Junito de Souza Brandão em sua Mitologia Grega escreve: “Com as características, ora de deus da cultura do vinho e da figueira, ora simbolizado pela Hera e pelos Pinheiros, ora representados pelo bode, Dioniso, o deus da transformação e da metamorfose, que havia sido expulso de Olimpo, todos os anos, chegava à Grécia, aos primeiros raios de sol da primavera, acompanhado de um séquito de sátiros e ninfas sendo saudado pelos fiéis com música, danças, algazarras, vinhos, sexo e também violência que por vezes terminava em tragédia”.

As bacantes, eram sacerdotisas que celebravam culto a Dionísio/Baco e invadiam as ruas de Roma, dançando, gritando e atraindo adeptos aos suas festas, chamadas de bacanais. Nestas festas bebidas e sexo eram liberados.

Saturno era um deus associado a boas colheitas (ceifador). E sua saudação era feita no final do inverno em uma preparação para a primavera (hemisfério norte). E como expliquei acima, era feita toda liberação das convenções sociais. Nada funcionava e os escravos podiam gozar da liberdade e podiam até mesmo ridicularizar seus donos. Todos cantavam e dançavam em um clima de transe e desordem. Tudo era lavado após estes excessos como forma de limpeza e purificação. O carnaval visto assim era uma trégua em relação a todas as limitações sociais.

Mesmo com o poder da Igreja e da era Cristã  e suas proibições de excessos durante a Quaresma, se marcavam as grandes festas antes do início da Quaresma, e se acreditava que tudo poderia ser feito, afinal depois aconteceriam as penitências e arrependimentos típicos da Quaresma. O próprio nome vem do latim “carnem levare” que significa adeus à carne, em uma alusão a uma despedida dos prazeres carnais. Mesmo com muitas condenações os festejos de carnaval continuaram.

Em 590 d.C., o Papa Gregório I, marca, a data do Carnaval no Calendário Eclesiástico. À medida que o tempo vai passando o Carnaval vai tomando maior vulto, sobretudo, na área mediterrânea da Europa – na Itália (Roma e Veneza), França (Paris e Nice) e Alemanha (Nuremberg e Colônia). A igreja passa até mesmo a estimular os festejos. Em 1582, o Papa Gregório XIII, promove a reforma do Calendário Juliano para o Gregoriano, em uso até hoje, e estabelece em definitivo, as datas do Carnaval. A marcação das datas do carnaval obedecem a Páscoa dos católicos, por isso, são também móveis variando de 05 de fevereiro ao 03 de março.

O carnaval era fortemente popular na Idade Média, por exemplo, o uso das máscaras em Veneza, era tão comum que foram feitas leis para proibir que fossem usadas fora do carnaval e seus carnavais podiam chegar a mais de um mês. Goethe, descreveu um carnaval que passou na Itália: “O Carnaval de Roma não é propriamente uma festa que se dá ao povo, mas que o povo dá a si mesmo”.

É o caso dos festejos carnavalescos do mundo antigo, sobretudo as Saturnais Romanas, assim como os carnavais da Idade Média que estão evidentemente muito distante do riso ritual que a comunidade primitiva conhecia. O Carnaval é a segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a vida festiva. A festa é a propriedade fundamental de todas as formas de ritos e espetáculos cômicos da Idade Média”. Mikhail Bakhtin

Peter Burke, em Cultura Popular na Idade Moderna escreve: “Claude Levi – Strauss nos ensinou a procurar pares de opostos ao interpretarmos os mitos, rituais e outras formas culturais. No caso do carnaval havia duas oposições básicas que fornecem o contexto para interpretar muitos aspectos nos comportamentos, oposições essas de que os conterrâneos tinham clara consciência A primeira delas é entre o Carnaval e a quaresma entre o que os franceses chamavam de “jours gros” e “jours maigres”, geralmente personificados com um gordo e uma magra. Segundo a Igreja era uma época de jejum e abstinência não só de carne mas de ovos, sexo, ir ao teatro e outros entretenimentos. Portanto era natural apresentar a quaresma como uma figura emaciada (a própria palavra Quaresma – Lent – significa “tempo de privação” – leam time), desmancha prazeres associada aos baixas da dieta de Quaresma. O que faltava na Quaresma era naturalmente o que abundava no carnaval, de modo que a figura do “Carnaval” era representada como um comilão e beberrão jovem, alegre, gordo sensual amo um Gargântua ou Falstaff Shakespeareano.”

É interessante traçar um paralelo com o próprio arquétipo de Saturno na Astrologia: o senhor que estabelece nossos limites e nossas restrições  era ele quem permitia e abençoava exatamente a libertação de toda e qualquer limitação.

Nos nossos tempos, o carnaval no Brasil e em especial o do Rio de Janeiro ganhou fama internacional como o maior espetáculo do mundo com os desfiles de escolas de samba. O carnaval brasileiro é atualmente patrocinado por empresas e pelo próprio estado devido a seu grande potencial turístico. Mas independente de seu patrocinío, é inegável que mantêm depois de séculos, seu mesmo apelo popular, seu aspecto brincalhão e de certa forma libertador e libertino.

Belíssima a canção abaixo do libriano Vinícius de Moraes.

A MARCHA DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Vinícius de Moraes

Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Ninguém passa mais brincando feliz E nos corações Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri Se beija e se abraça E sai caminhando Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem Qualquer dia vai se acabar Todos vão sorrir Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida, feliz a cantar Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais Com a beleza dos velhos carnavais Que marchas tão lindas E o povo cantando seu canto de paz Seu canto de paz.

Vamos relembrar uma das mais importantes e populares  marchinhas de carnaval. A gravação original de Mamãe Eu Quero é de 1937, sob autoria de Jararaca e Vicente Paiva. Mas só estourou depois que a aquariana Carmen Miranda a regravou em 1941.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=6P5Vtx1D7RQ[/youtube]
Refrão: Mamãe eu quero / Mamãe eu quero / Mamãe eu quero mamar / Dá a chupeta / Dá a chupeta / Dá a chupeta / Dá a chupeta pro bebê não chorar
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