13 de fevereiro de 2012

Olá,

Esta semana me entusiasmei com algumas matérias sobre os noventa anos da Semana de Arte Moderna (1922), e resolvi traçar um paralelo entre este evento histórico e o signo de Aquário: o aguadeiro que nos traz água fresca e renova nossas forças.

Trouxe uma pouco das imagens do que foi astrologicamente a Semana de Arte Moderna e o importante Manifesto Antropófago escrito por Oswald de Andrade.

Ainda pensando em renovação cito mais uma vez, Tolle, autor alemão que traz uma importante reflexão sobre o quanto temos a aprender com a natureza.

Esta semana me deparei com uma bela crônica, que terminava com a frase abaixo, achei tão bela que resolvi colocar aqui no início desta postagem:

“Eu me considero um poeta, não pela qualidade duvidosa do que escrevo, mas pela naturalidade da minha alma. Eu ainda acredito no inexistente, que é a única maneira de entender as raízes e os frutos. Tudo se forma na dúvida. Os poetas são tradutores do nada. O que escrevem se torna uma simbologia existencial, palavras escritas à espera de quem queira decodificar o sentido da vida. Sim, o poeta é um fingidor. A poesia, uma dúvida. O leitor, um cúmplice.” José Antonio Zechin

beijos e boa semana,

Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

O sol atravessa o signo de Aquário e faz um aspecto harmonioso com Saturno, um dos planetas regentes deste signo. Ótimo aspecto, pois traz segurança e um forte poder de realização. Bom período para nos empenharmos em novos projetos, os quais esperamos que dêem frutos duradouros e prósperos.

O Sol se aproxima de uma conjunção cada vez mais exata com o planeta Netuno, nos tornando mais receptivos. A aproximação destes astros e o bom aspecto com Saturno marca um período de muita sensibilização, mas também de concretização. Favorece os que trabalham com arte, criatividade e espiritualidade. Mas na verdade nos deixa a todos mais sensíveis.

Os relacionamentos exigirão maior índice de paciência do que dispomos. Cuidado pois o céu propicia conflitos e rompimentos. Boa fase para iniciar relacionamentos e parcerias profissionais.

As atividades e compromissos “chatos” também precisarão de pacência para serem resolvidos, deve ser uma semana com intenssa cobrança de assuntos pendentes a algum tempo.

Boas possibilidades para se fechar negócios financeiros lucrativos.

90 anos da Semana de Arte Moderna

Nós não sabíamos o que queríamos, mas sabíamos o que não queríamos (…)

o nosso sentido era especificamente destruidor”.

Mário de Andrade

A semana de Arte Moderna, representou de alguma forma, um rompimento com a então forma de fazer arte. A apresentação no Teatro Municipal das novas tendências da pintura, literatura e música foi recebida com vaias e repúdios. Os jovens artistas, hoje celebridades nacionais, foram ousados e rebeldes: Oswald de Andrade, Menotti del Pichia, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Anita Malfatti, Villa Lobos, Di Cavalcant, Guilherme de Ameida entre outros.

A Semana de Arte Moderna aconteceu com o Sol no signo de Aquário, um signo relacionado com a vanguarda e o modernismo. Saturno, um dos seus regentes encontrava-se exaltado no signo de Libra conjunto a Júpiter (um dos regentes de Peixes) e o outro regente aquariano estava exatamente no signo de Peixes. Alem disso Vênus, outro indicador forte se encontrava conjunto ao Sol e Mercúrio. Era um momento de forte expressão de novas tendências artísticas.

É atribuida a idéia a Di Cavalcanti que teria completado que seria “uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana.”

Apesar da forte reação do público e de uma parte da crítica, o movimento foi realmente vitorioso e marcou profundamente uma mudança artística no país – Urano e Plutão em trígonos no céu.

É importante lembrar que a maior parte dos artistas mais famosos envolvidos na Semana de Arte Moderna, nasceu com Urano transitando pelo artístico signo de Libra (1884 a meados de 1891).  Havia uma necessidade forte de inovação na expressão artística.

Uma marca forte do modernismo foi um movimento nacionalista. Apesar de inspirados por idéias do estrangeiro, nossos artistas insuflavam ao chamado movimento antropofágico, “comer a nós mesmos”, era uma forma de redescobrir o Brasil.

Manifesto Antropófago

“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa. O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar. Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem n6s a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem. A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls. Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaig-ne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará. Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores. Só podemos atender ao mundo orecular. Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem. Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba. Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia. Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo. Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses. Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti. Imara Notiá. Notiá Imara. Ipeju.

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais. Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia. Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César. A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue. Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas. Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida. Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti. Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário. As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo. De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia. O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa. É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci. O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz. A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama. Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada. Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas. Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI. A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo. A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte. Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.”

OSWALD DE ANDRADE

Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.” (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

 

AUTOCONHECIMENTO E NATUREZA

ECKART TOLLE

Eckart Tolle escreveu  um livro que foi um enorme sucesso e o projetou mundialmente: O Poder do Agora. Tolle nasceu em Ulrich na Alemanha. É um aquariano e o texto que trago abaixo, tem importantes reflexões sobre a natureza e o olhar humano.   Dele indico ainda  o livro “O despertar de uma nova consciência”.

“Dependemos da natureza não só para a nossa sobrevivência física. Também necessitamos da natureza para que nos ensine o caminho para casa, o caminho para sairmos da prisão de nossas mentes. Nós nos perdemos no fazer, no pensar, no recordar, no antecipar; estamos perdidos em um complexo labirinto, em um mundo de problemas. Esquecemos aquilo que as rochas, as plantas e os animais já sabem. Nos esquecemos de Ser, de sermos nós mesmos, de estar em silêncio, de estar onde está a vida: Aqui e Agora. Focalizar a atenção em uma pedra, em uma árvore ou em um animal, não significa “pensar neles”, mas simplesmente percebê-los, dar-se conta deles. Então eles te transmitem algo de sua essência. Sente quão profundamente descansam no Ser, completamente unificados com o que são e onde estão. Ao perceber isto, tu também entras em um lugar de profundo repouso dentro de ti mesmo. Quando caminhares ou descansares na natureza, honra este reino, permanecendo aí plenamente. Acalma-te. Olha. Escuta. Observa como cada planta e cada animal são completamente eles mesmos. Diferentemente dos humanos, não estão divididos em dois. Não vivem por meio de imagens mentais de si mesmos, e por isso não precisam preocupar-se em proteger e potencializar estas imagens. Todas as coisas naturais, além de estarem unificadas consigo mesmas, estão unificadas com a totalidade. Não se afastaram da totalidade exigindo uma existência separada: “eu”, o grande criador de conflitos.

Tu não criastes teu corpo, nem és capaz de controlar as funções corporais. Em teu corpo opera uma inteligência maior que a mente humana. É a mesma inteligência que sustenta tudo na natureza. Para aproximar-te ao máximo desta inteligência, torna-te consciente de teu próprio campo energético interno, sente a vida, a presença que anima o organismo. Quando percebes a natureza apenas com a mente, por meio do pensamento, não podes sentir sua plenitude de vida, seu ser. Unicamente vês a forma e não estás consciente da vida que a anima, do mistério sagrado. O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio para conseguir benefícios, conhecimento, ou a algum outro propósito prático. Observa, sente um animal, uma flor, uma árvore, e vê como descansam no Ser. Cada um deles é ele mesmo. Eles têm uma enorme dignidade, inocência, santidade. No momento em que olhas além dos rótulos mentais, sentes a dimensão inefável da natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.É uma harmonia, uma sacralidade que além de preencher a totalidade da natureza, também está dentro de ti. O ar que respiras é natural, como o próprio processo de respirar. Dirige a atenção à tua respiração e percebe que não és tu quem respira. A respiração é natural. Conecta-te com a natureza do modo mais íntimo e interno percebendo a tua própria respiração e aprendendo a manter tua atenção nela. Este é um exercício que cura e energiza consideravelmente. Produz uma mudança de consciência que te permite ultrapassar o mundo conceitual do pensamento e atingir a consciência incondicionada. Precisas que a natureza te ensine e te ajude a reconectar-te com teu Ser. Não estás separado da natureza. Todos somos parte da Vida Única que se manifesta em incontáveis formas em todo o universo, formas que estão, todas elas, completamente interconectadas. Quando reconheces a santidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade que existem em uma flor ou em uma árvore, acrescentas algo a esta flor ou a esta árvore. Pensar é uma etapa na evolução da vida. A natureza existe em uma quietude inocente que é anterior à aparição do pensamento. Quando os seres humanos se aquietam, vão além do pensamento. A quietude que está além do pensamento contém uma dimensão maior de conhecimento, de consciência. A natureza pode levar-te à quietude. Este é o presente dela para ti. Quando percebes a natureza e te unes a ela no campo da quietude, este se enche com tua consciência. Este é o teu presente para a natureza. Através de ti, a natureza toma consciência de si mesma. É como se a natureza tivesse ficado à tua espera durante milhões de anos para adquirir esta consciência.”  Eckart Tolle

E para encerrar a postagem desta semana, cito novamente José Antonio Zechin:

Eu não entendo as palavras escritas As palavras faladas me são inaudíveis Eu só entendo o silêncio A linguagem das pedras e raízes Eu não sei como algo pode Parecer o que não é As imagens oníricas dos espelhos Eu não sei como chegar ao inatingível Nós somos o que escondemos Eu pertenço aos meus segredos.

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