30 de janeiro de 2011.

Olá, Além do Sol ,Mercúrio também está no signo de Aquário. Esta posição reforça e potencializa a ação mercuriana: comunicação, mente, pensamento. A rapidez mental que a fase propicia é um convite a antítese: a meditação.

A meditação é uma maneira de ir para dentro de si mesmo, de perceber que você não é o corpo e você não é a mente. É um modo de fixar em nós mesmos, no mais profundo centro do nosso ser; e uma vez que você encontrou o seu centro, você terá encontrado tanto suas raízes quanto suas asas.” Osho

Nesta semana ainda com o Sol atravessando o signo de Aquário, trago dois aquarianos bastante interessantes: Lewis Carrol, o autor de Alice no País das Maravilhas e o grande guru, chamado de o santo louco, Sri Ramakhrisna.

Aproveitem a leitura e tenham uma ótima semana. Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

O Sol transita pelo signo de Aquário e nesta semana reforça a necessidade de troca de informações, deveremos ampliar o uso de telefone, email, redes sociais e todo tipo de comunicação moderna e mais ágil. Mas não é só a otimização da comunicação que podemos esperar, todo tipo de cobrança, acertos e contratos irão surgir. Cuidado para não perder datas de pagamento e de compromissos (nós piscianos, não somos os únicos que se atrapalham com datas).

Boa fase para pensar novos projetos e lançar idéias inovadoras. Relatórios também serão melhor detalhados nesta fase.

Procure evitar situações de maior confronto, será bastante complicado mediar discussões e se chegar a um consenso e entendimento. Atitudes deverão ser mais esquentadas e provocar polêmicas e discórdias. Não é propriamente um bom momento para brigas, pois trata-se daqueles enfrentamentos em que todos perdem algo.

É preciso ter bastante paciência nesta fase em que Saturno (contração) e Júpiter (expansão) se encontram tensos no céu, eu costumo exemplificar com a idéia de pisar no acelerador e puxar o freio de mão, portanto, cuidado com a estrada!

No geral, nosso estado de ânimo deverá estar melhor, mas as instabilidades emocionais serão até mais sentidas.

URANO E O CAOS

No ano de 2011, a Escola Gaia de Astrologia, promoveu a Astrológica, evento que reúne uma série de profissionais de Astrologia. Como sempre acontece, foi um final de semana agitado, com muitos amigos e muita astrologia circulando. Quem abriu este ano os trabalhos, foi Rodrigo Reis,  professor de mitologia  com o tema  “ Mitologia de Urano – o virtual excessivo e o atual necessário”.

Não pretendo aqui fazer uma transcrição da palestra de Rodrigo, nem uma descrição jornalística, é muito mais  registrar aqui no blog reflexões que considero muito interessantes que transcendem o tema mitológico e astrológico.

A palestra começou com o posicionamento de Urano através da mitologia, Urano como criador, como céu, como a não forma. Muitas vezes relacionado com a chuva que cai e fertiliza Gaia ou o aguadeiro. Está ligado a vários mitos primitivos, de sociedades matriarcais, por isso a idéia de fertilizador é tão vital no mito uraniano. Urano é um viajante que semeia Gaia (Terra).

O tempo era então designado como aion, que se refere a  um enorme período de tempo, uma eternidade, ao contrário de Cronos que simboliza o tempo corporificado. Aion ligado ao mito de Urano é um tempo sem  determinações é uma espécie de não tempo, ou um período atemporal.

Quando Urano  cai sobre Gaia (mãe-terra), essa espécie de chuva criativa, faz nascer  os primeiros filhos de Gaia: seis Titãs e seis Titânidas (reis e rainhas). Mas a excelência criativa de Urano não encontra limites, e continuamente fertiliza Gaia, que sem tempo de se preparar para a geração de novos filhos, passou a procriar  verdadeiros monstros:  como os cíclopes e os hecatonquiranos. Urano ao ver as monstruosidades que nasciam, negava qualquer instinto paterno e jogava-os no Tártaro. Os filhos de Gaia e Urano, são as forças brutas da natureza.

Aqui a fertilidade de Urano é tratada como indiferenciada, desmedida e de certa maneira caótica.

Gaia pede ajuda aos filhos, e Cronos (Saturno), vem ao socorro da mãe, e com sua foice, (presente de sua mãe) castra seu pai, e limita assim à sua criação. Aqui podemos traçar um belo paralelo entre o mito e a Astrologia, no que se trata de Urano: criação ilimitada até extenuação, o que ao findar  torna-se infértil.

 

Uma citação interessante é a de Junito Brandão: “André Virei, com base na mitologia grega, caracterizou as três fases da evolução criadora: Urano (sem equivalente no mito latino) é a efervescência caótica e indiferenciada, chamada cosmogenia; Crono (Saturno) é o podador, corta e separa. Com um golpe de foice ceifa os órgãos de seu pai, pondo fim a secreções indefinidas. Ele é o tempo da paralisação. É o regulador que bloqueia qualquer criação no universo. É o tempo simétrico, o tempo da identidade. Sua fase denomina-se esquizogenia. O reino de Zeus (Júpiter) se caracteriza por uma nova partida, organizada e ordenada e não mais caótica e anárquica: a esta fase A. Virei chama autogenia.  Após a descontinuidade, a criação e a evolução retomam seu caminho.” Mitologia Grega, vol 1, pg 192

Urano ao ser castrado, tem seu sêmen caído no oceano e deste  nasce Afrodite, deusa do amor. Afrodite/Vênus representa a força de desejo e atração, representa ainda  a potência do desejo. Neste mito simboliza a sublimação do melhor de Urano, a essência do desejo que permite a criação, mas uma criação ordenada e harmônica e não mais caótica. Urano tornou-se infértil, mas ao gerar Afrodite, deu a ela a incumbência de unir, de semear a procriação.

Um outro destaque importante aqui, é a pura essência de criação na figura de Urano, uma criação que se justifica só por ser criação, já que ele jogava os filhos para dentro da Terra, de volta para a mãe. A criação aqui não precisa de um sentido.

Para trazer o tema Urano aos nossos dias, Rodrigo Reis apresentou então a discussão do filme “A era da estupidez” e a animação Wall-E. 

O filme “A Era da Estupidez” é uma indicação para os que se preocupam com nosso planeta. A diretora é a ex-baterista de rock Franny Armstrong. Mistura documentário, ficção e animação numa história da destruição da Terra causada pela insensatez da humanidade. Já o longa Wall-E traz uma história também futurista de um planeta também devastado pela humanidade.

Os nossos dias, com tantas criações, informações e deformações traz muito da idéia de Urano.  Um consumismo  sem freios,  alimentado por informações e tecnologias digitais, faz com que dificilmente paremos e perguntemos: – Para que?  Segundo Rodrigo Reis, Urano em seu caos nunca pergunta isto. Não interessa para que, isto não é fundamental. Com isto, passamos por um verdadeiro sucateamento subjetivo, nossa sensibilidade e criatividade é castrada em nome de um mundo que é controlado por entidades subjetivas como economia de mercado, que controlam nossos gostos, desejos e ações. Em tempos de chuva uraniana de tecnologia: smarphones, redes sociais, celulares, internet etc, pouco cabe de nosso humano.

Neste quadro, nosso corpo, está cada vez mais inerte e nossa mente sempre em estado de alerta, como na eminência de uma ameaça. Este quadro de estresse geral, colabora para uma relação destrutiva com o planeta. O homem lida com todas as formas de vida e não vida como um ente superior. Rodrigo Reis propõe um outro caminho,  através de uma vida mais pautada na bioética e no chamado biocentrismo (O biocentrismo é uma idéia segundo às quais todas as formas de vida igualmente importantes, e a humanidade não é vista como o centro da existência).

“A concepção biocêntrica parte da tese de que animais e plantas não manejadas têm valor inerente. Concebendo-os deste modo, pessoas dotadas de razão julgarão que animais e plantas não manejadas merecem consideração e respeito, e sua vida deve ser preservada e protegida como um fim em si mesmo, para benefício deles, não por servirem a qualquer interesse humano.” Sônia T. Felipe, Universidade de Lisboa

Dentro desta concepção, devemos empreender um postura contínua de defesa da vida e do planeta, resgatando em nós mesmos nossos instintos básicos de sensibilidade.

“Sensibilidade é a capacidade de entender sinais que não são verbais, nem verbalizáveis. É a faculdade de discernir o indiscernível, aquilo que é demasiado sutil para ser digitalizado. Tem sido sempre o fator primário da empatia: a compreensão entre os seres humanos sempre se dá, em primeiro lugar, no nível epidérmico. E aí está, hoje, o campo de batalha político. A intensificação do ritmo de exploração dos cérebros tem posto em colapso nossa sensibilidade, por isso a insurreição que vem será antes de tudo uma revolta dos corpos. Penso em um novo tipo de açao política capaz de tocar a esfera profunda da sensibilidade mesclando arte, ativismo e terapia”. Franco Berardi (Bifo)

Trata-se de um voltar-se para o humano, ou melhor, para a essência da vida que pulsa em nós, como pulsa em todos dos seres de nosso planeta.

Abaixo o trailer do filme Wall-E

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=m5_lIuBXKWk[/youtube]

PERSONAGEM AQUARIANO

 LEWIS CARROLL

 

Alice no País das Maravilhas”  tem fascinado crianças e adultos há mais de um século, em todas as mídias possíveis. O livro foi escrito por Lewis Carroll (nome real de Charles Dodgson). Até mesmo um filme mais contemporâneo como Matrix, faz uma pequena alusão ao “mundo de Alice” quando Morpheus ensina Neo que ele deve despertar das realidades falsas e confrontá-las:

“Imagino que agora você está se sentindo um pouco como a Alice. Hein!? Caindo no buraco do coelho!?

Lewis Carrol nasceu na Inglaterra no dia 27 de janeiro de 1832. A fantasia e a criatividade podem são encontradas em seu mapa pelo dispositor de seu Sol (Urano) formar um sextil com a Lua no ascendente sagitariano e um trígono com seu Meio do Céu. Possuia um mundo interior rico, resultando em forte imaginação, provavelmente contido e muito mental e crítico. Reservado e tímido, foi educado em ambiente bastante conservador.

Foi professor em Oxford por 26 anos, tendo levado uma vida bastante tranqüila socialmente, hoje se fala muito em possíveis desvios sexuais, mas isso era (?) bastante comum entre a elite vitoriana do período.

Júpiter está posicionado na Casa 3, o que promove expansão nos escritos. Favore muito a opção literária. Júpiter no signo de Aquário, permitiu que nesta área literária ele pudesse exercer com maior facilidade a liberdade de expressão, além de uma visão inovadora.

Aquariano, com Sol conjunto a Urano, também explicam seu gosto por jogos de palavras, enigmas e a inventividade de seu texto.

O QUE É A VIDA SENÃO UM SONHO?

LEWIS CARROLL (1872)

Ao sol segue o barco em frente.

Lento desliza, sonhadoramente,

Inclinando-se à voga na corrente.

Caras ciranças, um trio a escutar,

Excitamento e brilho em seu olhar

Por tão singelo conto a palpitar.

Longe se vai aquele céu dourado,

Eco que esmorece, do passado:

Ao sol de estio, sucede outono e enfado.

Sempre me perseguindo essa lembrança.

Alice, sombra no céu que não se alcança,

Nunca visya por olhos sem esperança.

Contudo, vejo-as ainda a palpitar,

Em seus rostos acesos este olhar

Luzindo de avidez ao escutar.

Imagens de um país das maravilhas,

Distantes neste sonho onde o sol brilha,

Distante sonho onde o verão se estilha.

Elas deslizam ao longe, no entressonho,

Lentamente sobre um céu risonho…

Longe. A vida o que é, senão um sonho?

Tradução Sebastião Uchôa Leite

Uma lição de Ramakrishna

 Julgando os outros por si

 
 

Râmakrishna (aquariano) é considerado um dos últimos grandes santos hindus.  A monja  Bhairavi Brahmani, seu primeiro guru, ao ser questionada por ele, pelo medo que tinha de enlouquecer disse: “Meu filho, bem aventurado é o homem que conhece esta loucura. O universo inteiro é louco; alguns são loucos de riquezas, outros de prazeres, outros de glória, outros de cem outras coisas. São loucos do ouro que possuem, de seus maridos ou mulheres, loucos de coisas insignificantes, loucos do desejo de dominar alguém, loucos de todas as tolices possíveis, mas nunca loucos de Deus… Todos estes só podem compreender a própria loucura. Se um homem é louco do desejo do Bem Amado, louco do desejo do Senhor, como poderiam compreendê-lo? Ramakhrishna conseguiu viver a  espiritualidade com toda intensidade , entregou-se totalmente e por isso se tornou conhecido como o “Louco de Deus”. Ramakrishna é considerado uma encarnação da divindade.

 
 

Certa vez um sábio deitou-se em uma estrada, imerso em profunda meditação. Um ladrão passou por ele e pensou: “ele deve ser um ladrão. Certamente roubou alguma casa e adormeceu de cansaço. Vou fugir antes que a policia chegue e prenda-o”.

Alguns minutos se passaram e um bêbado passou pelo sábio e pensou: “este aí bebeu demais e caiu”.

Pouco tempo depois passou um outro sábio que percebeu ser o outro alguém em estado de êxtase (samadhi). Sentou-se ao seu lado e começou a esfregar suavemente os pés dele.

Cada um julga os outros por si.

 
 

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