09 de janeiro de 2012

Olá,

A Persistência da Memória - Salvador Dali - 1931

Não se iludam, não me iludo

Tudo agora mesmo pode estar  por um segundo.

Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei!

Transformai as velhas formas do viver

Ensinai-me, oh Pai o que eu, ainda não sei

Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei!

Gilberto Gil – Tempo Rei

O “céu” desta semana é feito para pensarmos no tempo. Por isso começamos com a belíssima canção de Gilberto Gil.  A inspiração veio de Saturno, regente do signo do mês: Capricórnio. Numa época como a que vivemos, onde a sensação muitas vezes é de devorar o tempo ou ele nos devora, o convite é para um “slow motion”, ou seja, um andar lento, um paralisar, dar uma pausa para refletir sobre o deus tempo! Mudei a música tema do site, para Oração do Tempo, música de Caetano Veloso com Maria Gadu.

Trago umas imagens muito legais que recebi, em homenagem também aos capricornianos: povo forte e decidido. Entre os textos sobre Saturno e tempo, destaque informações da ciência alquímica.

Dê uma parada no “tic tac dos relógios digitais” (sic) e saboreie! beijos e boa semana, Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

O Sol atravessa o zodíaco passando neste momento pelo signo de Capricórnio. Um bom aspecto entre sol e o planeta Marte, propicia uma semana dinâmica onde teremos firmeza e atitude positiva. Boa fase para tomar decisões e fazer escolhas mas, cuidado, a tendência é serem escolhas definitivas ou pelo menos bem duradouras.

Nossos pensamentos e idéias agora também estarão mais claros e o momento propiciará firmar contratos,  fazer acertos financeiros e comerciais. Aproveite para colocar seus compromissos sociais em ordem e o mesmo vale para as rotinas médicas e de saúde: exames, consultas etc. Assuntos financeiros e materiais no geral devem dar uma melhorada, dando um fôlego para os que estiverem mais “apertados”.

Quem precisar mexer em coisas burocráticas também deve sair satisfeito, pois tudo deverá se resolver a contento.

O clima de discussões e conflitos tende a aumentar o que pode nos trazer nervosismo e estresse até certo ponto, desnecessários. Cuidado para não levar as situações para um desgaste irreversível. Gritar e discutir não parece ser a melhor alternativa para se atingir os objetivos.

Os relacionamentos exigem comprometimento e seriedade, procure se esforçar e fazer sua parte, isto em nossas amizades, trabalho, família e relacionamentos amorosos.

Bons e inspirados momentos para recolhimento, meditação e cuidar da vida espiritual.

SIGNO DO MÊS

CAPRICÓRNIO

Recebi de uma amiga, Eliane Meyer, umas fotografias que achei muito interessante, pois refletem o simbolismo da cabra enquanto animal símbolo do signo de Capricórnio. Em Astrologia dizemos que os capricornianos são fortes, resistentes, persistentes e alcançam seus objetivos por mais demorados e impossíveis que possam parecer, bem veja as fotos e vai entender a correspondência.

As fotografias abaixo são da Barragem del Cingino, na Itália

Existem uns pontos escuros no muro da barragem, a foto abaixo está mais próxima

Vamos nos aproximar ainda mais do muro da barragem

Sim, isso mesmo, são cabritos!

Estes são os Ibex Europeus, um tipo de cabrito montanhês. Eles gostam de comer o musgo e lamber o sal que se forma na parede da barragem.

SATURNO – CRONOS

O  TEMPO

Saturno é o planeta regente do signo de Capricórnio e também do próximo signo do zodíaco: Aquário.

“Com muita frequência, portanto, nos assuntos humanos estamos sujeitos a Saturno, através do ócio, da solidão ou da força, através da Teologia e da mais secreta filosofia, através da superstição, da Magia, da agricultura e através da tristeza.”

Marsilio Ficino (1433-1499), O Livro da Vida

Ciclo de 28 a 30 anos Rege: Capricórnio e Aquário Exaltação: Libra Detrimento: Câncer e Leão Queda: Áries Anatomia: o esqueleto, os ossos, as cartilagens em geral, em particular as dos joelhos, as articulações, os dentes, os cabelos, as unhas, a pele, a bexiga, o baço, a orelha direita. O lóbulo direito da pituitária (que controla as estruturas musculares e ósseas).

Determina a forma, disciplina, ambição, responsabilidade, força e a capacidade de trabalho. Rege as coisas mais velhas, a paciência, persistência e amadurecimento. Sua ação é lenta e duradoura. Conhecido também como o Grande Maléfico. Representa as limitações e restrições, exige melhor estrutura e preparação.

SATURNO, O TEMPO

NOSSO MENTOR

Sono - Salvador Dali - 1937

A sabedoria proverbial de Saturno é a da própria terra. Não é por acaso que os americanos contemporâneos se referem aos anos de aposentadoria como “anos de ouro”; Saturno rege a velhice e mesmo hoje buscamos fazer desse período uma idade de ouro — ainda que com sucesso irregular. Aqueles que perseveram, que aprendem a enfrentar suas limitações, suas tiranias e sua própria escuridão; que se curvam devagar, pacientemente, para a aceitação gentil e tolerante do mundo que os rodeia — esses são os indivíduos que experimentam Saturno como o regente de uma idade de ouro interior. Envelhecem com dignidade e sabedoria, aproveitando seus anos dourados. Saturno é o mestre interior. Esse mestre pode tornar-se um tirano, um patriarca severo e obcecado por leis de restrições, ou pode tornar-se um verdadeiro mentor. Como afirmou Robert Bly, os homens americanos (e provavelmente também as mulheres) carecem desesperadamente de verdadeiros mentores.

O conceito do mentor é tirado também da mitologia clássica. Mentor, um personagem da Odisséia de Homero, era o velho conselheiro de Telêmaco, o jovem herdeiro de Odisseu. Enquanto Telêmaco esperava em vão por seu pai ausente, Mentor guiava suas ações com sábios conselhos. De qualquer modo, só parecia ser o Mentor. Na verdade, era Palas Atená quem falava a Telêmaco, usando Mentor como veículo.

O relacionamento entre Mentor e Telêmaco traz muitos pontos importantes. Em primeiro lugar, o conselheiro, Mentor, não é o pai do jovem. Como notou Bly, um jovem não pode ser iniciado nos mistérios da vida por seu pai. Seu laço é demasiado próximo e qualitativamente diferente. O mentor necessita de um certo distanciamento de seu protegido. Infelizmente, nossa sociedade não reconhece a necessidade espiritual pela figura de um mentor, ao menos não nos dias atuais.

Antigamente, um homem servia seu mestre como aprendiz, especialmente na época dos artesãos especializados. Essa relação desapareceu em nossa veloz era tecnológica. Ainda é possível, especialmente dentro das muralhas fechadas de uma universidade ou de um monastério, desenvolver e manter esse tipo de relacionamento. Porém, quando a figura paterna tenta representar o papel de mentor, normalmente acaba por se tornar um Cronos tirânico no processo. Poucos de nós temos oportunidade de ser iniciados nos mistérios da vida (especialmente nos “mistérios” da carreira, o verdadeiro domínio saturnino) por uma genuína figura de mentor. A maioria de nós precisa cultivar o mentor interior ou escolher uma figura histórica (o próprio Bly escolheu William Butler Yeats).

Saturno no horóscopo é o planeta mais adequado para representar o papel de mentor interior — mas devemos libertar Saturno do estigma de pai tirânico antes que ele possa realmente representar esse papel. Enquanto permanecermos abatidos por atitudes limitadoras, Saturno não pode funcionar plenamente. Ele pode nos tornar magnatas, mas não nos fará felizes. Necessitamos da sabedoria terrena de Saturno para que esse planeta nos mostre seu melhor lado, e a sabedoria terrena é uma sabedoria feminina. É significativo que a Odisséia conte que Palas Atená falava através de Mentor, pois isso sugere que o mestre interior necessita de um equilíbrio das polaridades masculina e feminina para ser realmente efetivo.

Criança geopolítica observa o nascimento do Homem Novo - Dali

Astrologicamente, Saturno é exaltado em Libra, signo tradicionalmente regido por Vênus e que também é associado ao asteróide Palas Atená, unindo assim o simbolismo patriarcal de Cronos com elementos femininos. Talvez o símbolo mais completo de Saturno seja aquele que vem do folclore popular — o Pai Tempo.

Essa figura alegórica deriva-se claramente de Saturno. Cronos significa “Tempo”; o Pai Tempo faz sua aparição na noite de Ano-Novo, que ocorre durante o mês astrológico de Saturno, Capricórnio. O Pai Tempo traz uma foice na mão — a foice que marca a posição de Saturno como deus da colheita, ou a foice com a qual Cronos castrou Urano. Na virada do ano, o velho Pai Tempo magicamente desaparece, substituído pelo bebê do Ano-Novo. Mesmo se a maioria de nós vê esse drama como uma melodia adequada à orquestra de um Guy Lombardo, é puro mito.

Assim é a Criança Divina nascida no solstício de inverno. Saturno deve nos apresentar limitações e restrições. Pode nos amadurecer, forçando-nos a trabalhar dentro desses limites. Pode lançar sobre nós a sombra de um pai tirânico, da qual devemos aprender a emergir. Todos esses trabalhos só podem ser realizados com o tempo, mas sua realização leva a um renascimento, uma idade de ouro do espírito que pode ocorrer em qualquer época, não apenas em nossa velhice.”

Astrologia e Mitologia – Guttman & Johnson – ed. Madras

SAIBA ENVELHECER

Galatea - Dali - 1958

Envelhecer é um pesadelo para as pessoas. Há uma luta inútil e muitas vezes patética pela juventude eterna. Muitos filósofos se detiveram sobre o tema e se esforçaram por nos ajudar a lidar melhor com a passagem do tempo. Um deles foi Cícero, símbolo supremo da oratória. Em sua obra Saber Envelhecer, Cícero enumera as vantagens desprezadas da velhice. Na dedicatória, ele diz: “Senti tal prazer em escrever que esqueci os inconvenientes dessa idade; mais ainda, a velhice me pareceu repentinamente doce e harmoniosa”.

Cícero começa por um fato incontestável: “Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam. Eis aí a conseqüência da estupidez”. Depois ele toca num ponto crucial: uma vez que a sorte instável ora nos ergue e ora nos derruba, o que muda mesmo é a maneira com que cada um de nós lida com sua cota de infortúnios. Afirma Cícero: “Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade”.

Cícero é mordaz e divertido. Quando toca na questão da alardeada perda de memória dos anciões, ele contrapõe: “A memória declina se não a cultivamos ou se carecemos de vivacidade de espírito. Os velhos sempre se lembram daquilo que os interessa: promessas, identidade de seus credores e devedores etc”. Permanecer intelectualmente ativo é uma forte recomendação dele. Cícero lembra que, no fim da vida, Sócrates aprendeu a tocar lira. “Acaso os adolescentes deveriam lamentar a infância e depois, tendo amadurecido, chorar a adolescência? A vida segue um curso preciso e a natureza dota cada idade de suas qualidades próprias. Por isso, a fraqueza das crianças, o ímpeto dos jovens, a seriedade dos adultos, a maturidade da velhice são coisas naturais que devemos apreciar cada uma em seu tempo.”’

Paulo Nogueira – Diário do Fim do Mundo

OPUS ALQUÍMICA

Na tradição alquímica Saturno está associado ao metal  chumbo, para o qual a ascensão máxima de transformação seria o ouro. É a busca incansável de transformar chumbo em ouro.

SPLENDOR SOLIS é creditado à Salomon Trismosin, tido como professor de Paracelso.1532

“O trabalho do alquimista transcendia a busca por metais preciosos; o essencial era sua entrega ao processo de descoberta, às práticas ritualísticas em seu laboratório, que funcionavam como uma ponte entre o mundo material e o Universo como um todo. A repetição precisa dos vários procedimentos, as medições, misturas e experiências, transportavam o alquimista a uma nova realidade, onde seu ser se unia ao cosmos, num verdadeiro amálgama da realidade material com a realidade espiritual, o clímax de sua visão holística do Universo. A famosa “pedra filosofal”, o misterioso elemento capaz de transformar chumbo em ouro, era na verdade símbolo dessa procura, dessa emancipação espiritual” – Marcelo Gleiser “Em tempos, Saturno foi o arrogante soberano da ‘Idade de Ouro’ da eterna juventude, mas desde que seu filho Júpiter o venceu e, segundo a Ilíada, foi ‘posto debaixo da terra’, a sua condição tornou-se lamentável; como Pai da Morte, com a foice na mão, passou a encarnar o aspecto destruidor do tempo e representa o ‘portão das trevas’ original da obra, que a matéria tem que transpor ‘para ser renovada na luz do paraíso’ (Aeyrenaeus Philalethes, Ripley Revived, Londres, 1677). A ele é atribuído o nível mais ínfimo e grosseiro, o sedimento da construção do mundo, pedras, terra e chumbo (antimônio). Böhme chamou-lhe ‘o soberano austero, frio, severo e rigoroso’ (Aurora), que criou o esqueleto material do universo. Para os neoplatônicos, porém, ele se converteu ‘na figura mais sublime de um panteão interpretado em termos filosóficos’ (Klibansky, Panofsky, Saxl, Saturn und Melancholie, Frankfurt, 1992). De acordo com Plotino (205 – 270), ele simboliza o espírito puro, e Agrippa von Nettesheim (1486 – 1535) refere-se-lhe como ‘um deus imponente, sábio e compreensivo, o pai da contemplação silenciosa’ e um ‘guardião e descobridor de mistérios’ (De occulta philosophia, 1510). Foi assim que Saturno se converteu no patrono dos alquimistas, o seu modelo identificador.” Alquimia e Misticismo, O Museu Hermético – de Alexander Roob, Ed. Taschen O vídeo abaixo é narrado pelo físico Marcelo Gleiser sobre os alquimistas, vale a pena ver: [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Oc_DSEt5Rk8[/youtube]
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