14 de novembro de 2011

Olá,

Esta semana o céu está com cores fortes do signo solar do momento: Escorpião. Além das previsões mensais, trago um belíssimo texto de Louise Huber com uma visão mais espiritual de Escorpião.

Pensei também em abordar melhor um lado nosso que normalmente fica escondido, chamado de lado sombra. E para apresentar o tema trago um texto de Debbie Ford. Tem um belo livro, em espanhol – Las Lunas – El Refugio de la Memoria de Eugenio Carutti, o qual me inspirei para trazer um outro olhar de Escorpião, não apenas pelo Sol, mas também da Lua.

Claro que neste mergulho, não poderia faltar o poeta que é um legítimo escorpião – Carlos Drummond de Andrade em uma de suas mais inspiradas poesias: Sentimento do Mundo. Comecei escrevendo que o céu desta semana, tem as cores de Escorpião, alguns podem pensar nos tons escuros do nosso próprio mundo interior, mas preferi trazer as cores da Fênix vermelha-amarelada, como ave símbolo da renovação e do renascimento!

Desejo a todos uma excelente semana,

Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

O Sol atravessa os últimos  graus do signo de Escorpião. Como temos tratado nas últimas semanas, este signo pede ações com envolvimento e comprometimento. Escorpião, na Astrologia, está relacionado ao mergulho mais profundo em todas as situações. Não se pede ações heróicas ou quixotescas e sim refletidas e necessárias.

Procure manter de forma discreta seus planos e idéias. O mais indicado é só na hora H apresentá-los. Muitos palpites e opiniões alheias podem deixá-lo confuso e sem ação. Conte mais com você e com pessoas da mais íntima confiança. Procure manter-se econômico em suas falas e exposições, lembre-se que muita informação junta, pode poluir a compreensão.

Planos para viagens, passeios e festas estarão em alta. As atividades sociais também deverão ser bem disputadas e alegres. Inclui-se aqui flertes e romances. Atividades com os amigos também serão divertidas.

Nesta semana os assuntos devem ganhar agilidade e teremos que estar bem centrados e alertas para responder às situações novas que se apresentarem. Mas nem tudo estará claro e provavelmente em mais alguns dias mudanças e revisões serão necessárias.

Júpiter está nos últimos dias em seu movimento retrógrado pelo signo de Touro. Esta direção deverá permanecer até final de dezembro. A recomendação é que tenhamos mais cuidado com os assuntos materiais, e não contar muito com a sorte. Atrasos e resultados diferenciados do aguardado deverão nos deixar surpresos. Procure então manter seus pés no chão. As questões econômicas parecerão incertas nestes tempos. Júpiter é um símbolo de energia expansiva e Touro um signo que representa conservadorismo, segurança, beleza sensual, posse e fertilidade. É importante neste movimento retrógrado, cuidar com o consumismo e desperdício. É preciso saber como desfrutar da vida (prazeres) com o máximo de segurança possível.

 

SIGNO DE ESCORPIÃO

Guerreiro eu sou, e da batalha, eu surjo triunfante

“Escorpião é o signo da transformação interior, da transmutação. É o signo no qual o filho perdido volta à casa do pai, após não ter encontrado nada mais que lhe satisfizesse. É esta conversão que está sempre trazendo momentos dramáticos para a nossa vida, fazendo-nos reconhecer que nunca encontraremos a satisfação real nas coisas exteriores da vida, mas que só podemos reagir corretamente, se estivermos em uníssono com suas motivações mais interiores. Quando em um momento iluminado estivermos conscientes dessa unidade da vida, ou quando houvermos experimentado a insignificância da satisfação puramente externa ao sermos alcançados por um golpe do destino, então reconheceremos, particularmente durante o mês de Escorpião que devemos lutar por uma transformação fundamental, através de uma nova maneira de ser. Essa transformação é chamada de “Experiência de Damasco” na qual “Saulo se tornou Paulo”. Normalmente isso começa ao abdicar-se ao já estabelecido, ao abandonar-se os hábitos padronizados e petrificados. É uma exigência um tanto inusitada que se faz ao EU, tão apegado às posses e às coisas já estabelecidas. E, no entanto, a renovação, o renascimento, depende do cumprimento dessa exigência.

A fim de alcançar o essencial, devemos continuamente rasgar os véus e quebrar as barreiras que estão sempre se formando. Continuamente negligenciamos nosso centro interior e recaímos nas formas de nosso pequeno EGO; e, a cada vez, somente uma conversão total, muitas vezes um salto perigoso, reconduzir-nos-á à unidade da vida.

O salto para o centro interior ativa o processo da morte e do renascimento e requer o abandono, às vezes à destruição, daquilo que nos liga a este  mundo. Este salto no nada provoca um medo contínuo daqueles nascidos sob o signo de Escorpião,  pois sabem que, mais cedo ou mais tarde, terão de dá-lo. Sabem que terão de desistir de tudo, de perder tudo – até a si próprios – a fim de seguirem para o nada, para a morte. Diante dessa grande experiência, o medo do nada aparece como um fantasma, medo este freqüentemente superado num dramático momento de desespero, quando não restar nenhuma outra alternativa.

Após esta grande experiência nada restou além do “Eu Sou”, o qual não se extinguir nesse processo de transmutação, mas permanece intacto. Após esta transformação interior, aquela permanece a única realidade a ser vivida, surgindo purificado para a nova vida, qual fênix das cinzas. É a vitória triunfante após a batalha. O Escorpião torna-se “discípulo triunfante”, como consta nos antigos escritos; ele renasce do Espírito.”

Louise Huber – Signos, Zodíaco e Meditação – Ed. Totalidade

SOMBRA

“Foi durante esse encontro muito humilhante comigo mesma que me comprometi a aprender quem e o que eu era, e por que me sentia obrigada a fazer as coisas que eu fazia. Foi nessa época crucial que entendi a sombra humana e o efeito que ela tinha em minha vida e na vida dos que me cercavam — não como uma teoria de livro, mas como uma mulher que lutava para lidar com os próprios sentimentos indesejados e profundas inseguranças.

Levada por fortes sentimentos de solidão que surgiam pela falta de entendimento de quem eu era e por que estava ali, comecei minha jornada para me tornar íntima de meu lado obscuro, do meu self sombrio. Esse momento de ajuste de contas se tornou um catalisador para levar uma vida além do que eu podia imaginar. Isso me incentivou a estudar e dar importância não apenas ao meu próprio comportamento humano, mas ao comportamento de centenas de milhares de pessoas a quem tenho tido o privilégio de conduzir a esse território do self rejeitado, e à gloriosa descoberta de uma vida ainda a ser vivida.

Não foi a minha luz que me levou à sabedoria que compartilhei em meus sete últimos livros, mas a minha batalha com meu lado sombrio (e a rendição final da guerra interior) é que foram meus guias e minha inspiração. Foi a própria escuridão, de quem fiquei fugindo durante a primeira parte da vida, que agora é minha paixão e meu combustível para ajudar outras pessoas nessa jornada mágica através da psique humana para viver à luz de sua maior expressão. É um chamado espiritual, uma voz superior que pergunta a mim e a você: Você está pronto a embarcar nessa jornada e reivindicar seu eu completo, a luz e a escuridão, seu self bom e seu irmão gêmeo perverso? Está pronto a recorrer ao amor do self verdadeiro, total e autêntico, em vez de continuar encurralado na angústia do julgamento de um ego humano desarticulado?

Tornar-se íntimo de sua sombra é uma das investigações mais fascinantes e frutíferas que você poderá fazer. É uma jornada misteriosa que o conduzirá ao descobrimento de seu self mais autêntico — um lugar onde você se sente à vontade com quem você é, onde reconhece suas fraquezas e seus pontos fortes, onde pode apreciar seus talentos, admitir suas imperfeições e admirar sua grandeza. Esse self que está escondido por baixo da máscara de sua personalidade humana é aquele que você ficará radiante em ser, um self que sabe quem é e honra a jornada humana. Esse self que você descobrirá, à medida que abraçar mais e mais seus aspectos ocultos, oferece a confiança para falar a verdade e buscar o que é, de fato, importante para você. É irônico que, para encontrar a coragem de levar uma vida autêntica, você terá que entrar nos cantos escuros de seu self mais forjado. Você precisa confrontar exatamente aquelas suas partes que mais teme e encontrar o que estava procurando, porque o mecanismo que o leva a esconder sua escuridão é o mesmo que o faz esconder a luz. Aquilo do que você anda se escondendo pode, na verdade, lhe dar o que você vem tentando encontrar com tanto afinco.”

“Fazendo as pazescom os outros, com o mundo e consigo mesmo” in O Efeito Sombra – DEBBIE FORD

 

LUA EM ESCORPIÃO

“É propriedade da Lua – da substância básica – carregar dentro de si toda a memória e entregar à nova identidade ser retrabalhada. Ao fazer, enfrenta a carga de todas as tendências e padrões pré-existentes cuja ação é impossível não perceber. Cada nova forma deve emergir desses padrões, renovando-os criativamente. A inevitabilidade deste processo é mais facilmente percebida no sentido biológico, mas funcionam de forma análoga  em diferentes níveis: emocional, idéias e crenças, arquetípica, dos processos mentais, e assim por diante. A trama das formas acima pode permitir a criação de novas formas  ou, inversamente, condicionar o suficiente para impedir sua manifestação: isso é uma tensão inevitável. A questão é conhecer a memória e o passado para possibilitar a manifestação de variações criativas. Esta parece ser, em suma, uma regra que opera em todos os processos envolvendo a lua.”

Las Lunas – El Refugio de la Memoria de Eugenio Carutti

A Lua em Escorpião cria uma compreensão profunda e instintiva dos outros. Suas experiências chegam facilmente ao coração e a alma. Sua natureza chega a grandes profundidades. Não expressam seus sentimentos de maneira direta, muitas vezes, procurando camuflar e guardar suas emoções. Sua grande necessidade de relacionamentos íntimos e sexuais, pode provocar receios de não se controlar e perder o controle para o outro.

São naturalmente investigadores, e sentem uma atração pelo proibido, tabu e tudo que tenha uma natureza não revelada. Profunda sensibilidade e compreensão não apenas dos sentimentos bons, mas também de sentimentos aflitivos como: medo, abandono, ódio, traição e perdas.

Não se pode esperar que um indivíduo que tenha a Lua (ligada a memória) em um signo tão emocional, vá esquecer com facilidade uma mágoa. Orgulhoso e implacável deve ser sua conduta quando se sente atingido.

O indivíduo com esta Lua vai sentir-se atraído por relacionamentos intensos e apaixonados, sujeitos a crises de ciúme, possessividade e manipulação. Lutar pelo poder e pelo controle da relação também é ação comum.

Uma certa introversão de sentimentos, pode deixar aos distraídos uma falsa imagem dos que possuem deste forte posicionamento lunar.

Costumo dizer que possuem uma espécie de antena de apreensão do ambiente e das pessoas, podendo ter uma profunda leitura das situações. Sua determinação, não evita profundas crises, das quais ressurge com renovada força, sabedoria e poder.

Nádia Oliveira

Sentimento do mundo

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis.

Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desfiando a recordação do sineiro, da viúva e do microcopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer

esse amanhecer mais noite que a noite

Carlos Drummond de Andrade

FÊNIX

É muito comum usarmos a expressão: tal pessoa é uma Fênix. Isso significa que é como uma ave que renasce das cinzas. Resolvi pesquisar para conhecer um pouco mais deste mito. Acredito ser um paralelo bastante interessante com o signo solar do mês: Escorpião. Que também sempre renasce a cada crise. Signo ligado a transformação e ressurreição.

No Antigo Egito, temos a ave Benou, que como Fenix estampava textos a mais de 2000 a.C. Esta ave era relacionada ao principio dos tempos e a regeneração. As cerimômias mortuárias egipcías eram cuidadosamente preparadas para que a alma dos mortos pudesse como a Fênix renascer. Houve uma direta associação desta ave com o Sol e por conseguinte com o deus Rá, o elemento fogo e a cidade de Heliópolis (cidade do Sol), nome grego para Junu ou Om.

Parece vir daí, do Egito e mais especificamente de Heliópolis , a Fênix que depois se espalhou entre os gregos e daí para o mundo latino. A Fênix é normalmente descrita como uma ave exuberante e brilhante de plumagem amarelo-avermelhado. A partir daí são inúmeras as citações desta ave, muitas vezes citando-a como pássaro real e outras como lenda:

“Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é fénix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egito, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Heliópolis. É dito que a fénix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Árabia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egito. Isto é o que se diz que este pássaro faz.”  (Heródoto)

“E a fénix, ele disse, é o pássaro que visita o Egito a cada cinco séculos, mas no resto do tempo ela voa até a Índia; e lá podem ser visto os raios de luz solar que brilham como ouro, em tamanho e aparência assemelha-se a uma águia; e senta-se em um ninho; que é feito por ele nas primaveras do Nilo. A história do Aigyptos sobre ele é testificada pelos indianos também, mas os últimos adicionam um toque a história, que a fénix enquanto é consumida pelo fogo em seu ninho canta canções de funeral para si”. (Apolônio de Tiana)

O animal também é encontrado na tradição judaica, como nos comentários de Rashi: “Esse texto faz referência a um pássaro cujo nome é Chol, e a morte não tem poder sobre ele, porque não experimentou do fruto da árvore do conhecimento. No final de mil anos renova-se, e retorna à sua juventude”.

A ordem das duas partes do versículo sugere que a alusão a Fênix é a correta, sendo que, de uma forma não muito lógica, Jó primeiro fala de morrer, e depois, de multiplicar os seus dias. É evidente que muitos seres vivos não são capazes de morrer em seus ninhos e depois multiplicar os seus dias, mas de acordo com a antiga lenda, é exatamente o que podemos dizer da Fênix. Outro interessante versículo paralelo, se encontra em Salmo 103:5: “Sua juventude se renova como a da águia”.

Clemente I (30 -100), bispo de Roma, em sua Primeira Carta aos Coríntios (c. 96 d.C.) usa um argumento curioso em defesa da ressurreição. Ela cita três “ocorrências naturais” para defender a ressurreição: o dia que segue a noite, a semente que cai ao chão e morre para renascer como uma planta, e a Fênix, pássaro árabe lendário, que morre e renasce de suas próprias cinzas a cada quinhentos anos.

Em nossos tempos, a Fenix aparece ainda como um símbolo poderoso e importante. Saibamos nos recriar como esta ave e renascer ainda mais resplandescentes.

Nádia Oliveira

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