03 de outubro de 2011

Olá,

Em tempos de Sol e Vênus em Libra, um dos maiores prazeres é celebrar com o também libriano e amante confesso Vinicius de Moraes. Trago esta semana o “Soneto do Amor Total“, até o título é poético.

Aproveite a inspiração para mergulhar em névoas e brumas netunianas com o texto que escrevi sobre a entrada de Netuno no signo de Peixes, fiz um paralelo com a Odisséia de Homero – que os deuses me permitam!

E assim, entre uma inspiração e outra seguimos buscando no lúdico, na poesia e na fantasia o real para nos ancorarmos! Que aparente paradoxo!

beijos

Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

O Sol atravessa o diplomático signo de Libra. Bons aspectos com Marte no signo de Leão podem dar uma certa energia e determinação nestes dias, o que pode ser muito útil, pois os assuntos não devem se desenvolver com muita fluidez e exigirão bastante paciência.

É um momento para contar bastante com sua própria ação e responsabilidade, nada de atos arriscados o melhor é se cercar de cuidados, aproveite para planejar e organizar melhor seus compromissos. Bom momento para aqueles que estão firmando e resolvendo negócios.

Momento de dar o melhor de sí nos relacionamentos, tanto afetivos como sociais. Procure se mostrar mais disposto e presente.

Como disse antes, os assuntos não estarão sendo resolvidos com rapidez, mas nada muito travado, normalmente um pouco de paciência e bom senso irão resolver os problemas do dia-a-dia.

Mudanças de última hora irão ocorrer de maneira bem tumultuada e as conseqüências também não serão as melhores, prepare-se para administrar dificuldades.

Problemas com saúde e queda de vitalidade podem ocorrer, a recomendação é não deixar exames atrasados e manter aqueles cuidados médicos em dia.

Uma certa dose de irritabilidade ainda está presente, por isso procure não estimular o estresse, relaxe e guarde momentos da sua semana para atividades mais prazerosas.

Soneto do Amor Total

Vinicius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor … não cante O humano coração com mais verdade … Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.

 

NETUNO EM PEIXES

Netuno em Peixes : um barco à deriva

Nádia de Oliveira

 

Fontana de Trevi, Roma

Iremos mergulhar no caos ou andar nas águas amorosas da compaixão? A partir de fevereiro de 2012 Netuno ingressa em seu signo de domicílio – Peixes –  e leva cerca de 14 anos nesta travessia. Netuno é considerado um planeta geracional por sua lenta marcha, influenciando um número grande de pessoas, uma geração inteira. Dados: Netuno leva aproximadamente 164 anos para fazer uma revolução solar, isto significa em torno de 14 anos atravessando cada um dos doze signos. 5/4 de 2011 – ingressou em Peixes 3/6 de 2011 – movimento retrógrado 6/9 de 2011 – ainda em movimento retrógrado voltou para o signo de aquário 10/11 de 2011 – movimento direto no signo de Aquário 4/2/2012 – ingressa definitivo no signo de Peixes

Na Astrologia Netuno está associado a dissoluções, inspiração artística, esperança, idealismo, caridade, hospitais, fraudes, confusões, embriaguez, incosnciente, inconsciente coletivo, flutuações, sonhos, ilusões, fantasias, fenômenos psíquicos e espirituais e idealismo.

Por quais caminhos andaremos com esta passagem pelo signo de Peixes? Novas revoluções idealistas? Ampliação do uso de drogas? Questões de tolerância ou intolerância religiosa? A reforma protestante aconteceu em um período de Netuno em Peixes, Marx publica seu Manifesto Comunista e Darwin “A origem das espécies” também com este mesmo posicionamento astrológico.

Com Netuno em Peixes é como se os fatos  acontecessem em onda, uma força aparentemente invísivel que vai ganhando as massas e quebrando obstáculos. É um novo conjunto de ideais e condições. As condições ruins podem se agravar, e assim as ações e reações devem ganhar força. Ideais políticos, religiosos e altruístas tendem a crescer, bem como vozes messiânicas ganhar maior proporção. É uma corrosão invisível. O mundo invisível: mercado, bolsas, economia, política, religião etc podem mergulhar no caos. E coloquemos ainda neste caldo a indústria de medicamentos e o mundo das drogas legais e ilegais.

Basta lembrar que nos últimos anos, Netuno em sua passagem pelo signo de Aquário, nos fez mergulhar na modernidade, na tecnologia. Nos últimos anos, inserimos em nossas vidas e em nossas casas muito desta modernidade: celulares, computadores, ipads, chips, novas formas de relacionamentos, proteses de silicone etc.

O  movimento invísivel de Netuno, atuando através do signo de Peixes, pode nos levar a navegar por oceanos desconhecidos. Neste signo, por estar em seu domicílio, Netuno se apresenta reforçado. É um convite a um passeio num mundo paralelo à realidade, realidade essa normalmente associada a Saturno.

Uma bela e famosa história mitológica nos ajuadará a compreender a passagem de Netuno pelo signo de Peixes: a história de Ulisses, descrita na Odisséia de Homero.

   

A Odisséia é um poema épico escrito provavelmente no século VIII a.C. pelo grego Homero que narra as aventuras de Ulisses ou Odisseu, quando termina a guerra de Tróia.

Ulisses, era o rei da ilha de Ítaca. Deixa seu reino, sua mulher Penélope e seu filho Telêmaco e segue com seus homens para lutar ao lado dos gregos na famosa guerra de Tróia. Sua participação na guerra é de grande importância, é dele  a idéia, ao perceber que os troianos estavam resguardados e quase vitoriosos dentro de suas muralhas, de dar-lhes de presente um enorme cavalo de madeira, que abrigava em seu interior os melhores guerreiros gregos. Ao aceitar o presente, os troianos levaram o cavalo bem como os guerreiros gregos para dentro de sua fortaleza e assim diante da surpresa, perderam a guerra.

Com o sucesso e o fim da guerra de Tróia, Ulisses se encaminha com seus guerreiros rumo à Ítaca, imaginando que em poucos meses retornaria. É neste ponto que se inicia a Odisséia e é neste ponto que se inicia nosso paralelo com nosso tema: Netuno em Peixes. Ulisses, como cada um de nós, se apoia na força de sua mente e inteligência, muito preso ao mundo físico e mental, e portanto ao seu ego. Liz Greene em seu livro “Neptune” escreve que o poder que vem da água é um conceito antigo e entre os babilônios, o oceano era chamado de “lugar da sabedoria”. Na água, segundo a autora, haveria uma identidade entre criador e criação, uma integração entre personalidade e consciência, uma confusão de identidades e entre o mundo da luz e o mundo do inconsciente. Esta idéia enriquece ainda mais nossa exploração do mito, pois Ulisses ao se encaminhar para casa, para o que considerava seu reino e realidade – Ítaca – mergulha em um verdadeiro nevoeiro, cercado de monstros, fantasias e loucuras que o afastam mais e mais de sua casa, de seu mundo real, mas o aproxima do invisível, do que está além dos cinco sentidos, e esta fusão com o mundo da não forma pode se transformar no despertar de uma consciência maior.

Ulisses, fortalecido pelo sucesso na Guerra de Tróia, estava com seu ego insuflado. Não acreditava que poderia existir nenhum obstáculo intransponível a sua ação. Na primeira fase de sua viagem, vê-se obrigado a parar em uma ilha para buscar abrigo e provisões para seus homens. Encontra alimento em uma caverna, mas logo fica preso nela com seus homens, quando o dono da caverna surge. Ele é Polífemo, gigante cíclope devorador de homens, filho do deus Poseidon (Netuno na mitologia romana) o deus dos mares. Ulisses resolve então adormecer o gigante com vinho e assim consegue cegá-lo, o gigante acorda gritando e abre a caverna, fazendo isto liberta Ulisses e seus homens que saem escondidos, o gigante grita de raiva e dor enquanto Ulisses já seguro com sua tripulação em seu barco, o ridiculariza e se apresenta como o grande Ulisses, num claro gesto de afirmação e ego. O cíclope clama vingança a seu pai.

Ao brigar com um deus, Ulisses mostra seu orgulho egóico, nascido de campanhas anteriores bem sucedidas, não teme  o poder do invisível e do divino e terá que enfrentar Poseidon,  justo o deus dos mares, em sua viagem através dos mares. Poseidon (Netuno) estava em seu território.

Uma das paradas de Ulisses é na ilha dos comedores de Lotus, onde seus homens se embriagam com uma planta tóxica presente na ilha. Atordoados pela ação da droga entorpecente, Ulisses é obrigado a tirá-los a força da ilha. Mas essa sensação de embriaguez, estará presente em vários momentos da Odisséia, representando a perda da noção de realidade e o mergulho no mundo das não-formas.

Consegue em certo momento o apoio do Senhor dos ventos, Eólo, que lhe dá uma sacola contendo o ventos que o assegurariam uma viagem segura, mas seus homens, abrem a sacola, acreditando ter ali algum tesouro, e libertam os ventos gerando uma tempestade que os afasta ainda mais da desejada Ítaca.

A viagem de Ulisses que deveria demorar 2 ou 3 meses, transforma-se em 17 anos, graças aos atropelos criados pelo deus dos mares. Por dezessete anos, Ulisses vaga perdido pelo oceano, enfrentando tempestades, monstros e enormes desafios que aparecem, mas a cada etapa ele ainda está focado  em sua realidade: Ítaca e Penélope, a esposa fiel que o aguarda, estes são seus portos seguros.

Aqui cabe lembrar o paralelo que criamos com Netuno atravessando nos próximos anos o signo de Peixes, devemos saber qual nosso porto seguro, onde está nossa Ítaca.

Na Odisséia, não parece ser intenção de Poseidon matar Ulisses, mas dar a ele  uma grande lição de humildade e resignação diante das forças do invisível acima dele. Na maior parte da história  Ulisses conta com sua força e inteligência, é protegido da bela deusa Atena, deusa da inteligência. Mas os anos vão passando e ele vai perdendo seus melhores guerreiros, até chegar ao final de sua jornada, sozinho, perdido no mar. Perdido, rende-se ao poder divino de Poseidon, assume sua fragilidade mortal e entrega-se acreditando estar com seus dias contados, mas Poseidon, considera sua tarefa terminada e permite que assim Ulisses volte para Ítaca. Ulisses consegue avistar e chegar em Ítaca a tempo de restituir seu reino e seu casamento.

O tempo, na Odisséia, é algo que de concreto – Cronos (Saturno) – torna-se relativo e  dilatado e muitas vezes mal percebido, afinal é como se nosso herói, estivesse dentro de um outro mundo, mundo não real, de sonhos e fantasias. Assim quando chega em Ítaca retoma o seu mundo real.

Na obra de Alice Bailey “Astrologia Esotérica”, que trata profundamente do tema de expansão da consciência, o Mestre  Tibetano  cria frases sementes para cada signo, para  o signo de Peixes, temos uma bastante apropriada para nossa história: Eu deixo a casa do Pai e ao voltar, eu encontro a redenção.Vale aqui a dica de ler a Odisséia, tem também um filme que trata deste assunto que reproduzo um trecho abaixo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=okG8Z8yIXK8[/youtube]
 
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