15 de agosto de 2011

Olá,

Escrever o céu é uma delícia, escrever sobre poesia, música, arte em geral e astrologia também é uma delícia, mas juntar tudo isso e com amigos, puxa, parece propaganda de cartão de crédito: não tem preço!

Esta semana, trago 3 amigos, os três com suas artes: poesia, música e pintura. Tudo bem misturado com a minha arte: Astrologia.

Inicialmente, apresento uma ilustração feita por Gabriel Janeiro Groke, colocada no facebook como forma de  homenagem aos amigos leoninos e fez um grande sucesso. Resolvi abrir o “post” de hoje com esta imagem.

O Gabriel é estudante de Astrologia da Gaia e pisciano. Os outros dois amigos que trago, são aniversariantes do período, portanto dois legítimos leoninos, nada de gatinhos fantasiados de leão não, estes são legítimos da turma da realeza: Roney Giah e Sandra Killner.

boa semana,

Nádia Oliveira

CÉU DO MOMENTO

[singlepic id=26 w=320 h=240 float=center]

A semana começa meio confusa, ótima para mensagens cifradas, assuntos sub ou mal entendidos, linguagem simbólica, artística, dialogar com deus e com o invisível, mas falar e comunicar o mais simples, o cotidiano e o óbvio parecerá atividade para Hércules. A dica é paciência e meditação. A meditação até será mais fácil conseguir, a paciência já são outros 500!

No céu ainda encontramos um T-square (aspecto tenso em forma de triângulo) juntando os planetas Marte, Urano e Plutão. Bom para resolver assuntos que precisam de uma ação firme, mas o desgaste com esta tensão é quase inevitável, parece que esperamos uma ajuda do céu até o último instante e acabamos assim prolongando uma situação que deveria ser resolvida de maneira mais simples por outros meios mais estratégicos.  Mas como falei antes, o mais simples nesta semana não estará tão acessível.

Um aspecto desafiador das configurações astrológicas atuais é resolver nossa parte dos problemas, isto não é propriamente um quadro tenso, na minha opinião é um desafio, do tipo:  bem, cabe a mim a minha parte na resolução da situação em que me encontro, o que convenhamos, parece justo, não?

Com Sol, Vênus e Mercúrio em Leão, fica difícil não olharmos o próprio umbigo, neste caso é até recomedável. Aproveite para dedicar um tempo a delicada e sutil tarefa: cuidar bem de si mesmo.

Os relacionamentos afetivos merecem o mesmo cuidado e atenção. Bom momento para fazer novos amigos e companheiros. O mesmo se dá no campo profissional e de negócios.

Júpiter um planeta relacionado com crescimento e expansão, está no signo de Touro e  faz ótimos aspectos com Plutão e com Marte, portanto a fase, apesar de toda confusão aparente, é de construção e prosperidade, com ações firmes e definitivas. O difícil é acertarmos isto de primeira: tudo parece mais dificil do que é, aqui cabe um conselho que dei nos últimos dias a uma conhecida: calma, tem luz no fundo do túnel sim, mas agora é o túnel! A dica é: buscar a luz e enfrentar o túnel.

PERSONAGENS LEONINOS DA SEMANA

SANDRA KILLNER

Começo citando uma bela poesia da Sandrinha Killner amiga-astróloga que trabalha com florais alquímicos de Joel Aleixo, e posso dizer que tenho a grata satisfação de ter sua amizade.

Faço aqui uma pequena homenagem ao citá-la, pois de público quero agradecer seu  carinho com o “céu da semana”, desde o princípio que comecei a escrevê-lo, recebo dela o maior  apoio!

Sandrinha, parabéns pelo aniversário!

QUADRUPLICIDADE

I

Busco os caminhos desconhecidos e neles mostro minha força em cada árvore.

Sou a menina dos bosques quando busco os montes e anseio por novos rumos,

quando rejeito os limites e não existe o medo.

Sou a menina dos bosques quando me lanço sem proteção,

dos picos feitos com todas as pedras (realidades) que tentam, inúteis,

bloquear meus atos deliciosamente insanos.

Assim sou a menina dos bosques.

II

Sou a menina do amor, com o coração nos olhos.

Busco o amor imensurável e ofereço aquele que existe em meus infinitos braços.

Sou a menina do amor quando procuro meus filhos em cada ser, quando quero ser

Ave Mãe e ninho ao mesmo tempo.

Sou a menina do amor quando meu colo se torna porto e permite, dolorosa e sabiamente,

o lançar de âncoras de todas as embarcações.

Assim sou a menina do amor.

III

Sou a menina do casulo, na introspecção.

Busco a linguagem da alma e descubro ser eu mesma

Tudo o que me ameaça, me prende e me liberta.

Sou a menina do casulo quando a solidão me incomoda e quando

o fim torna-se causa e razão.

Sou a menina do casulo quando procuro o que sou

antes de querer tornar-me outra.

Assim sou a menina do casulo.

IV

Sou a menina Xamã.

Procuro a cura em minha árvore ancestral e descubro não estar sozinha.

Encontro meu mundo mágico dentro de mim e me conecto com o todo exterior.

Minha energia flui para o universo e retorna como inspiração, leveza, alegria, humildade.

Descubro a força dos elementos do fogo, da terra, da água e do ar.

Sou o todo e o todo é em mim.

Agora posso caminhar honrando todos os caminhos, sabendo que o inesperado me espera.

Assim sou a menina Xamã.

contatos com Sandra Killner:  sandrakillner@gmail.com

RONEY GIAH

Roney é um cantor e guitarrista com um tempo enorme de estrada, aliás quase o tempo de sua vida, já que estuda música desde criança. Tem recebido vários prêmios e é fácil acompanhar sua carreira através de seu site: http://www.roneygiah.com.br/ . Vou deixar para vocês curtirem o trabalho dele lá: vasculhe, leia e aproveite. Aqui vamos olhar  e fuçar no mapa dele.

Roney é leonino com Lua em Touro e Ascendente no signo de Capricórnio. Quando olhei seu mapa a primeira vez, me surpreendi: Sol em Leão de casa 8, com um Plutão cravadíssimo no Meio do Céu e o ascendente no signo de Capricórnio. Ufa, personalidade forte e marcante sem dúvida.

Sua sensibilidade e arte, é facilmente percebida em seu mapa, com a Lua exaltada no signo de Touro na Casa 5, da arte e criatividade (de Leão – seu Sol), fazendo aspecto harmonioso com Vênus, também planeta relacionado com arte e estética, e regente de seu Meio do Céu – Libra. O aspecto tenso entre Vênus e Urano, talvez seja uma necessidade constante de mudança e ajustamento: nunca está bom, quero mais, sempre mais! Normal encontrarmos em artistas, costumo chamar isto de “alma de artista”.

Seu Sol na Casa 8, mistura a  essência leonina com nuances de escorpião, o que ganha um reforço pela presença de Plutão no alto de seu mapa, Sasportas em seu livro As Doze Casas (ed. pensamento) escreve: O Sol de 8ª Casa confere-lhes normalmente um interesse em tudo que está escondido, oculto e misterioso na vida“, sobre Plutão na décima Casa (meio do Céu), escreve o mesmo autor: ” Quem tem Plutão na 10ª Casa procura, em última instância, uma carreira profundamente engajante, significativa e excitante. Ou o trabalho é de natureza plutoniana ou seu enfoque será de um tipo de intensidade e complexidade associado a esse planeta“. A fotografia do Roney que coloquei no começo deste texto,  expressa muito deste Sol: forte, intenso e só revela  o que deseja ser revelado.

Recordo que quando Michael Jackson morreu, entre tantas notícias que nos contaminam e intoxicam em momentos de comoção pública, recebi um texto, onde Roney narra um encontro em que teve com Michael, gostei tanto que nunca esqueci e reproduzo-o aqui a seguir. Antes curta o vídeo de Roney Giah e depois o texto dele.

[bubblecast id=303305 thumbnail=475×375 player=475×375]

MICHAEL, SORVETES E GENTILEZA Roney Giah
Ele riu.Pausou seu andar, me olhou e disse: – Ok, give me your card. (okay…me dá seu cartão) Seu nome era Michael Jackson. Eu era um estudante de música em Los Angeles e aquela era minha primeira semana na América. A história que antecede essa cena e sua continuação é mais ou menos simples, com exceção da mágica que a envolve. Eram meus primeiros dias no M.I. (Musicians Institute), uma faculdade de música em Los Angeles que estudei de 1993 à meados de 1994.
Acabara de achar um lugar para morar de aluguel, numa garagem de uma casa em Highland Park há 15 minutos do centro de Hollywood. Uma casa calma, onde morei os 16 meses que passei por lá, cujo gentil dono, se tornou uma grande amizade que carrego até hoje. Na primeira semana de escola, tive a oportunidade de fazer algumas aulas com a Jennifer Batten, na época guitarrista de Michael Jackson, que alucinava o mundo da guitarra com seus solos virtuosos e sua energia espantosa. No meu primeiro sábado Estado Unidense, após meu debut na faculdade, fui convidado por Jorge Briozzo, o gentil dono da casa, para conhecer a praia de Santa Monica, uma vez que eu ainda não tinha um carro. Muito bacana. Um sol quente, porém moderado, diferente do forno habitual do litoral brasileiro, uma areia fina e distante da água fria que quebrava na praia, falafel no papel para enganar a fome e boas conversas.
Ao fim de nossa sessão praiana, umas 16hs, estávamos indo ao estacionamento pegar o carro para voltar para casa, quando ao som de uma buzina, Jorge me pegou pelo braço e disse baixo, tentando não mover os lábios: – Esse na Cherokee verde acenando e buzinando pra gente é um amigo meu, o Adrian. Se ele nos convidar para almoçar, responda “não”. Da última vez, ele me levou num restaurante muito caro aqui em Malibu, fiquei quatro meses pagando a conta. Ri da história e assim fomos ao encontro da camionete do Adrian. De janela aberta, sorridente, muito simpático, ele nos cumprimentou animado, perguntou qual era meu nome e após breves apresentações, sem cerimônia, disparou: – Vamos almoçar? Jorge disse não imediatamente. Adrian insistiu. Jorge comentou que o estacionamento ia ficar caro, que estava tarde e que tínhamos acabado de comer um falafel. Adrian respondeu: E daí ? Brasileiro e desbocado, interrompi aquela conversa chata, confessando: – Sabe o que é Adrian…estamos duros. Então tem que ser um lugar bem barato ou você nos ajuda a pagar a conta (nesse caso, paciente leitor, ele era nitidamente resolvido financeiramente). Adrian parou de sorrir, olhou pra baixo rapidamente – como quem faz contas de cabeça – e respondeu: – Claro, entrem logo antes que eu mude de idéia. E riu de suas próprias palavras. Fomos ao primeiro restaurante; fechado (eram 16hs). Adrian disse: conheço um bem bacana que está aberto.
Um minuto depois, ainda no bairro de Santa Monica (onde Michael morava) e sentado no banco de trás do carro, o que vi foi matematicamente improvável: Pelo reflexo do vidro espelhado da janela de um Café Francês do outro lado da rua, vi uma porta de uma camionete limusine GMC branca abrindo e Michael Jackson saindo. Não sei se me fiz claro, mas só para constar: Se estivesse 1 ou talvez 2 segundos atrasado ou quem sabe adiantado, ou mesmo sentado no banco da frente, não teria ângulo suficiente para ver o reflexo da tal janela e conseqüentemente ver o Michael abrindo a porta. Tudo parecia curioso demais. Era, porém, claro para mim o que tinha que fazer. Falei com toda falta de intimidade que tinha com o dono do transporte: Adrian… pare o carro. O Michael Jackson está entrando num café do outro lado da rua. – Quem? – Michael Jackson. – Como você sabe? – Eu vi. – E se for um sósia? – Numa camionete limusine GMC de meio milhão de dólares? – Adrian – bom de contas – emudeceu, mas não parou o carro. Falei num tom mais ansioso: – Adrian, pare o carro, por favor. – Mesmo se for ele, o que você vai fazer? – Trocamos olhares pelo retrovisor e ele entendeu que eu estava em um estado pouco negociável. Paramos o carro, já longe e corri para o café. Antes de entrar, olhei dentro da limusine; três seguranças jogavam cartas despreocupados. No café – vazio – um casal de velhinhos comia um sundae. Perguntei ao único garçom da casa, que secava copos: – Onde está o Michael? – Que Michael? Decifrei a charada imediatamente: acredite ou não, Michael Jackson parou para ir ao banheiro e ninguém o viu entrando no lugar. Procurei o banheiro e nada…o café era grande. Até que vejo do outro lado do balcão uma porta se abrindo e Michael saindo. Adrian, que já tinha alcançado o café e estava por lá, o cumprimentava com alegria. Com passos apressados cheguei a Michael: Óculos espelhados Ray-Ban, ombreira dourada, calça preta e camisa preta (sem as famosas fardas douradas, num estilo mais “casual”) ele me cumprimentou. Com as mãos no bolso e muito relaxado, ficou parado, como que esperando uma conversa (pois na minha mente, ele teria me cumprimentado e saído às pressas). Chocado com o súbito interesse, disse: – Sabe, estou tendo aula de guitarra com a Jenniffer… – Really? E assim, do nada…ali estava eu…conversando de música com o Michael Jackson com meus pés cheios de areia. Falamos de guitarra, do que ele gostava no estilo da Jenniffer , da sua banda, até que ele me perguntou da onde eu era e comentei que era do Brazil. – Really??! E num tom mais animado, falou: – Cara, eu adoro o Brazil… Perguntei por que ele não tinha tocado ainda no Brazil (era 1993). Ele me perguntou se eu achava que as pessoas iriam ao show. (rsrsrs) – Cê ta brincando? Bobear, você tem mais fãs lá do que aqui. Ele riu. Começou a se mover em direção a porta de saída lentamente. Pensei: – Puxa, já era…e perguntei: – Você precisa ir, né? – Não… queria tomar um sorvete…quer um? (ceeeerto…) – Claro. (puta merda…como é surreal escrever sobre isso) Mas na rua, do lado de fora, outra realidade se aproximava: Adolescentes que estavam por perto esperavam sua saída, talvez por acharem que não podiam entrar no café…não sei. Ali, notei que acabara meu momento de privacidade com ele. Falei sem pensar: – Michael, queria tocar com você. Uma canção lhe acompanhando na guitarra, me daria inspiração para uma vida inteira. – Ele parou de andar e se virou. Com um leve sorriso, ele me passou a expressão mais confiante que recebi em 20 anos de carreira encontrando todos os artistas que a vida me possibilitou conhecer. Balançando a cabeça afirmativamente, seu olhar e seu rosto diziam: “That’s it boy. That’s the attitude”. Respondeu prontamente: – Ok, give me your card. (okay…me dá seu cartão) – Não tenho cartão ainda. Cheguei do Brazil faz uma semana. – Michael olhou um vaso decorativo em cima da mesa, levantou-o e pegou um papel que estava embaixo dele. – Olha…Escreve seu número aqui. – Escrevi meu telefone (o do Jorge Briozzo, na verdade) apoiado em suas ombreiras. Ele saiu. As adolescentes atacaram. Distanciei-me e sentei, chocado. Vi ele pegar o sorvete, mas a pequena multidão crescia e ele correu pra sua limusine com o sorvete na mão. Antes de entrar, ele parou e olhou dentro do café, como que me procurando. Pensei: – Não é possível… Mas era. Ele veio até a porta, me viu sentado. Tirou o papel com meu telefone do bolso e o sacudiu no ar, como quem diz: – Do caralho sua coragem brother… Passei um mês grudado no telefone. Comprei fitas novas pra secretária. Mas ele não ligou…rsO único comentário do Jorge nesse dia foi: “Não acredito ! O Michael Jackson tem meu número ?! rs
Sua presença era calma e foi sem dúvida o mais humilde pop-star que conheci, que conversei. Tratou-me como igual, apesar de sua grandeza evidente. Dois meses depois, e passado a alvoroço, saí da faculdade para almoçar. Andava por Los Angeles pelos Back Alleys (aqueles becos que aparecem em filme). O pessoal da escola dizia que era muito perigoso andar pelos becos, mas pra brasileiro aquilo era uma piada…sério – tinha até umas tabelas de basquete penduradas pros “bandidos” brincarem. De repente, sozinho no beco, vejo uma camionete limusine GMC branca vindo em minha direção a dois por hora, apertada no estreito beco – que não pode entrar carros, aliás… Penso: – Cê ta zoando ? Não. O destino não estava brincando. Era o carro de Michael com quatro policiais acompanhando-o a sua volta, vindo na minha direção. Tive que parar, não dava nem para ficar ao lado da janela, pois era muito apertado pra camionete passar. A Limo parou. A porta abriu. Michael saiu. Só tinha eu no beco. Aproximei-me e uma policial fez sinal com a mão de “chega pra lá”. Michael percebeu a tensão e me olhou. Parou de andar e sorriu, como que se soubesse que me conhecia, mas não lembrava da onde. Hesitou, veio em minha direção, mas a policial pôs a mão em suas costas e ele parou. Pôs o dedo indicador no lugar do relógio (mesmo não usando nenhum relógio), como quem diz: – Pô…to atrasado…senão parava pra conversar. Eu sorri. Ele deu tchau. Corri pra rua. Na Hollywood Boulevard tinha uma cerimônia no Wax Museum de sua primeira estátua de cera. Aqui no Brasil, cinco anos atrás, tomando um vinho com Paulo Ricardo do R.P.M., Carlini e o pessoal da casa noturna que eu me apresentava, o Marcenaria, Carlini me disse que o Michael deu um pedal Wha Wha pra ele quando eles se conheceram no festival que teve Rita Lee , Jackson 5 e muitos outros. O Rei da gentileza. O Rei da dança. O Rei da música. O Rei da voz. The king of pop. Não haverá outro tão cedo. Um beijo pra você, meu irmão, que nos ajudou a sonhar mesmo sem saber.
spacer

Leave a reply